terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Cícero - estadista, orador e escritor romano


Marcus Tullius Cícero nasceu no dia 13 de janeiro de 106 a. C, em Arpino. De família nobre, recebeu primorosa educação, tendo como mestres Scévola e o poeta grego Árquias. Sua primeira vitória no foro romano foi uma defesa em favor de Séxtio Róscio Amerino, no ano 80 a. C, num processo contra o ditador romano Lúcio Cornélio Sula (Sila). Após a vitória precisou fugir para a Grécia, quando passou a se dedicar ao estudo da filosofia. Regressou a Roma com a morte de Sila, em 78 a.C., já famoso. Em 76 a.C. foi eleito questor para servir na Sicília, obtendo respeito do povo por sua justa administração. Em 78 a.C. acusou o administrador da Sicília, Caio Licínio Verres, de cobranças ilegais de impostos e pilhagem de templos e monumentos públicos. Verres foi condenado ao exílio e obrigado a restituir 40 milhões de sestércios aos sicilianos.  Em 69 a.C. Cícero foi eleito edil e em 66 a.C, pretor. 

Como pretor, fez seu primeiro discurso político, reivindicando a Pompeu o comando das tropas romanas (Pro Lege Manilia ou De imperio Gnaei Pompei), apoiado pelos optimates – conservadores do senado. Em 63 a.C. foi eleito cônsul, quando teve duas grandes vitórias: uma, em defesa de Caio Rabírio contra uma acusação feita por César, e quando denunciou a conspiração do anarquista Lucius Sergius Catilina, pronunciando as quatro célebres Catilinárias (Catilinariae orationes). Cícero pediu ao senado a morte dos conspiradores, sem julgamento, sendo atendido. Daí em diante Cícero passou a ser tratado como salvador da República. 

Prestigiado, Cícero quis estabelecer a política do acordo entre as classes (Concordia ordinum), porém, sem apoio político do substituto de César em Roma durante a guerra da Gália, o seu inimigo Clódio, exilou-se.

Depois de um ano fora, Cícero voltou a Roma a convite de Pompeu, mas afastou-se da política e se dedicou a escrever livros. Em 52 a.C. seu inimigo Clódio foi assassinado, e Cícero foi chamado para defender o réu, Milone, mas perdeu a causa. No ano seguinte foi nomeado pró-cônsul na Sicília. Regressou em 50 a.C. e encontrou Roma numa guerra civil, entre as tropas de Pompeu e César. Amigo de Pompeu, Cícero o abandonou depois da derrota de Farsália, mas tornou-se suspeito para os dois líderes. Por causa disso, quis refugiar-se em Túsculo, mas antes esperou o perdão de César nas orações “Pro Marcello” e “Pro Ligario” (46 a.C), quando traçou um projeto de restauração política, social e moral para evitar a ascendência da monarquia. 

Por quase dois anos Cícero afastou-se da política, escrevendo obras filosóficas; com o assassinato de César, em 44 a.C., e a ascensão de Marco Antônio ao poder romano, Cícero o denunciou por ter ambições ditatoriais, em “Philippicae orationes” (Filípicas). A primeira foi pronunciada em 2 de setembro de 44 a.C. Na última das quatorze Filípicas, de 21 de abril de 43 a.C., exaltou a vitória de Otávio, filho adotivo de César. Mas Otávio, vencedor da guerra contra Marco Antônio, constituiu o segundo triunvirato com Marco Antônio e Lépido, em outubro de 43 a.C. Por causa disso os oposicionistas foram executados, e Cícero foi um dos primeiros, em 7 de dezembro de 43 a.C. Sua cabeça e suas mãos foram expostas ao povo nas “rostras”, tribunas de oradores no foro romano. 

   Obras:
   Discursos políticos: 58 discursos políticos de Cícero chegaram aos dias atuais, e estima-se que 48 se perderam. Os principais são: “Pro Roscio Amerino” (80 a.C.); “VII in Verrem” (Sete discursos contra Verres, 70 a.C); “Pro Lege Manilia ou De imperio Gnaei Pompei” (Pela lei de Manília ou sobre o comando de Pompeu, 66 a.C.); “De lege agraria (Sobre a lei agrária, 63 a.C.); “IV in Catilinam” (Quatro discursos contra Catilina, 63 a.C.); “Pro Milone” (52 a.C.), “Pro Marcello”, “Pro Ligario (46 a.C.); “XIV Philippicae” (XIV Filípicas, 44 – 43 a.C.). 

Discursos forenses: os mais conhecidos são: “Pro Quinctio” (Sua primeira defesa, em 80 a.C.); “Pro Caecina” (69 a.C.); “Pro Cornelio Sulla” (62 a.C.); “Pro Archia poeta” (62 a.C., em defesa do poeta Árquias, acusado de desfrutar ilegalmente da cidadania romana); “Pro Caelio” (56 a.C., em defesa do seu jovem amigo Célio, acusado de envenenamento pela irmã de Clódio, inimigo de Cícero); etc. 

Obras filosóficas: a maior parte dos trabalhos filosóficos foi escrita nos anos 45 e 44 a.C. Antes dessas datas foram escritas: “De Republica” (54 a.C., sobre a República) e “De Legibus” (Sobre leis, 52 a.C.). Outros escritos: “De consolatione” (Sobre a consolação, 45 a.C.); “De finibus bonarum et malorum” (sobre os objetivos da ética , 45 a.C.); “Academia” (45 a.C.); “Tusculanoe disputationes” (Discussões em Túsculo, 45 – 44 a.C.), etc.   

(Texto: Eliza Ribeiro - Taperoá - PB - Foto: internet)        

Nenhum comentário:

Postar um comentário