domingo, 30 de maio de 2021

Vai, amor: letra — Música de Clara Nunes


Vai, amor, pra toda vida;

Não olhes para trás na hora da partida.

Não me mande lembrança nem carta amorosa;

Vivias num perfeito mar de rosas.


Te dei carinho, dei um lar,

O que pude, enfim;

Não sei por que procedeste assim!


Agora é tarde para me pedir perdão;

Eu sigo a ordem dada por meu coração.

Eu sei que andava fora da realidade,

Graças a Deus decidi, sem ter remorso nem saudade.


Não chore, por favor,

Porque um bom perdedor não chora;

Reconhece a derrota, se dirige à porta,

Abre, diz adeus e vai-se embora.


(CLara Nunes — Autores: Monarco/Walter Rosa)

Disco: "Claridade" — 1975 — Odeon — XSMOFB — 3884.

Foto: internet.

segunda-feira, 24 de maio de 2021

Umas e outras: letra — Música de Clara Nunes


Se uma nunca tem sorriso

É pra melhor se reservar,

E diz que espera o paraíso 

E a hora de desabafar.


A vida é feita de um rosário 

Que custa tanto a se acabar;

Por isso, às vezes ela para e senta um pouco pra chorar.

Que dia! Nossa, pra que tanta conta?

Já perdi a conta de tanto rezar!


Se a outra não tem paraíso,

Não dá muita importância, não,

Pois já forjou seu sorriso 

E fez do mesmo profissão. 

A vida é sempre aquela dança 

Aonde não se escolhe o par;

Por isso, às vezes ela cansa e senta um pouco pra chorar.

Que dia! Puxa, que vida danada,

Tem tanta calçada pra se caminhar,

Mas toda santa madrugada,

Quando uma já sonhou com Deus,

E a outra, triste namorada, coitada,

Já deitou com seus!


O ocaso faz com que estas duas,

Que a sorte sempre separou,

Se cruzem pela mesma rua ,

Olhando-se com a mesma dor.

Que dia! Puxa, que vida danada,

É tanta calçada pra se caminhar!

Que dia! Nossa, pra que tanta conta?

Já perdi a conta de tanto rezar!

Que dia! Puxa, que vida comprida!

Pra que tanta vida pra gente desanimar? 


(Clara Nunes — Autor: Chico Buarque)

Disco: "Clara Nunes " — 1973 — Odeon — SMOFB 3767

Foto: internet. 

terça-feira, 18 de maio de 2021

Último pau de arara: letra — Música de Clara Nunes


A vida aqui só é ruim 

Quando não chove no chão;

Mas, se chover, dá de tudo,

Fartura tem de porção.




Tomara que chova logo, 

Tomara, meu Deus, tomara!

Só deixo meu cariri no último pau-de-arara!


Enquanto a minha vaquinha

Tiver o couro e o osso

E puder pôr um chocalho pendurado no pescoço, 

Vou ficando por aqui,

Que Deus do céu me ajuda.


Quem foge da terra natal

Em outro canto não para;

Só deixo meu cariri no último pau-de-arara!


(Clara Nunes  — Autores: J. Guimarães/Venâncio/Corumba)

Disco: "Clara Clarice Clara" — 1972 — Odeon — MOFB 3709.

Foto: internet.

quinta-feira, 13 de maio de 2021

Última morada: letra — Música de Clara Nunes


Quando eu morrer

Eu quero uma batucada

Pra me levar à minha última morada.




Quero ouvir acordes de um violão,

E o povo pelas ruas 

Cantando as estrofes da minha canção!


Assim, no céu terei felicidade

E das belas coisas da vida 

Eu não sentirei saudade!


(Clara Nunes — Autores: Natal/Noca da Portela)

Disco: "Brasil mestiço" — 1980 — EMI-ODEON — 062 421207.

Foto: internet.

sábado, 8 de maio de 2021

Tudo é ilusão: letra — Música de Clara Nunes


Não, não foi surpresa para mim 

Porque tudo na vida tem fim;

Eu esperei com resignação 

O triste dia da separação.




Vai, meu amor, siga o teu destino

Que eu seguirei o meu;

Seja feliz, adeus.     ( Bis)


Nada dura eternamente,

Tudo na vida é ilusão;

Eu sabia que mais cedo ou mais tarde

Chegaria o dia da separação.


(Clara Nunes — Autores: Tufy Lauar/Eden Silva/Aníbal da Silva)

Disco: "Claridade" — 1975 — Odeon — XSMOFB 3884.

Foto: internet. 

segunda-feira, 3 de maio de 2021

Tu que me deste o teu cuidado: letra — Música de Clara Nunes


Tu, que me deste o teu carinho

E que me deste o teu cuidado,

Acolhe ao peito, como o ninho,

Acolhe o pássaro cansado,

O meu desejo contentado. 



Há longos anos ele arqueja em aflitiva escuridão;

Sê compassiva e benfazeja,

Dá-lhe o melhor que ele deseja: 

Teu grave e meigo coração.


Sê compassiva, se algum dia te vier do pobre

Agravo e mágoa;

Atende à sua dor sombria,

Perdoa o mal, que desvaria,

E traz os olhos rasos de água.


Não te retires ofendida,

Pensa que nesse grito

Vem o mal de toda a minha vida:

Ternura inquieta e malferida,

Que, antes, não dei nunca a ninguém.


E foi melhor nunca ter dado;

Em te pungindo algum espinho,

Cinge ao teu seio angustiado,

E sentirás o meu carinho

E sentirás o meu cuidado.


(Clara Nunes — Autor: Capiba)

Disco: "Guerreira" — 1978 — EMI-ODEON — 062 421096.

Foto: internet.