domingo, 4 de novembro de 2012

Indiferença (Guilherme de Almeida)


Hoje, voltas-me o rosto, se ao teu lado
Passo. E eu baixo os meus olhos se te avisto.
E assim fizemos, como se com isto
Pudéssemos varrer nosso passado.

Passo esquecido de te olhar, coitado!
Vais, coitada, esquecida de que existo,
Como se nunca me tivesses visto,
Como se eu sempre não te houvesse amado.

Mas, se às vezes, sem querer nos entrevemos,
Se quando passo, teu olhar me alcança,
Se meus olhos te alcançam quando vais.

Ah! Só Deus sabe! Só nós dois sabemos.
Volta-nos sempre a pálida lembrança
Daqueles tempos que não voltam mais!

(Poesia: Guilherme de Almeida. Foto: Eliza Ribeiro  - Taperoá - PB)

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