É, estou exausta. Hoje estou exausta. O quê? Estás me perguntando se estou falando contigo? Estou mesmo, estou falando contigo. Estou dizendo que hoje estou exausta... Trabalhei demais, acima de minhas forças... E tu, com essa terrível pose de quem me olha com desdém, não estás cansado? Traseiro no chão, boca aberta, olhar tristonho... Aposto que já correste pela cidade inteira e ninguém te deu um pedacinho de osso, um golinho d'água... O quê, não gostas de osso, só de carne muçiça, tipo alcatra, coxão mole, duro, etc? Só me faltava essa, agora, um cachorro vira-lata vaidoso, guloso, orgulhoso... Vai, segue teu caminho, some de minhas vistas...
Acho que agora vou falar sozinha... Cachorro danado! A petulância canina é terrível! O quê, ainda estás aí? Some, danado, some da porta de minha casa agora, e sem olhar para trás! Que estás dizendo? Ficarás aí até eu te dar uma pedaço bem torrado de alcatra? Com certeza estou vendo alma de outro mundo, com certeza! Xô, vai-se embora! Não és passarinho para que eu te diga: "xô"? Não estou de brincadeira, hoje, estou exausta, não te falei? Não acreditas? Estás me dizendo que estou assim, pior do que tu, mas é por causa do meu amor? Ah, agora danou-se, um cachorro adivinhão ou um conselheiro amoroso! Xô, não quero mais papo! Sai da minha porta, agora, senão tiro tua foto e a ponho na internet!

Tu queres substituir Lilico em meu coração? Jamais, jamais! Nenhum grande amor a gente esquece ou substitui... Para sempre Lilico viverá em minha alma! Chega! Vem! Entra aqui, companheiro, vou te dar água, comida, casinha, etc... Teu nome? Lilico Segundo!
(Texto e fotos: Eliza Ribeiro - Taperoá - PB)
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