sexta-feira, 5 de abril de 2013

Paulo Freire


Paulo Reglus Neves Freire nasceu no dia 19 de setembro de 1921, às 9h00, na Rua do Encantamento, 724, no bairro da Casa amarela, em Recife, Pernambuco. Era filho de Joaquim Temístocles Freire e Edeltrudes Neves Freire. Tinha 3 irmãos: Temístocles, Stela e Armando. Seus avós paternos eram: Ceciliano Demétrio Freire e Alcina Anízia Freire. Seus avós maternos eram: José Xavier B. das Neves e Adorinda Flores Neves. 

Iniciou seus estudos em casa, à sombra de uma mangueira, com o auxílio de sua mãe. Em 1927 estudou em escola particular, tendo como professora Eunice Vasconcelos, e em 1931 mudou-se com a família para Jaboatão, perto do Recife. 

Perdeu seu pai no ano 1934, o que afetou o equilíbrio financeiro da família. Por causa disso, Paulo só conseguiu frequentar o “curso ginasial” aos 16 anos de idade, em escola privada, em Recife. Em 1937 conseguiu uma bolsa de estudos no Colégio Oswaldo Cruz, também no Recife, cujo dono, Aluízio Araújo, exigiu do menino apenas empenho nos estudos. Terminou o curso em 1942, porém no ano anterior já era professor de língua portuguesa no colégio. 

No ano 1943 ingressou na Faculdade de Direito do Recife, onde se formou no ano 1947, mas não exerceu a profissão. Em 1944 casou-se com Elza Maia Costa de Oliveira, com quem teve 5 filhos: Maria Madalena, Maria Cristina, Maria de Fátima, Joaquim e Lutgardes. O casal viveu junto por 42 anos.   
Em 1952 Paulo foi nomeado professor catedrático da Faculdade de Belas-Artes da Universidade do Recife. Dois anos depois foi nomeado diretor-superintendente do departamento regional do Sesi, de Pernambuco, cargo que ocupou até outubro de 1956. 

A partir daí começou a desenvolver, com sua equipe, um programa de Educação inovador no país, que consistia numa busca incessante de conhecimento e uma pedagogia que atingisse o povo mais humilde. Desde 1960 trabalhou com essa nova prática educativa, e empregava os verbos “Educar”, “Conscientizar”, “Criar”, “Inovar”, “Inventar”, “Mudar”, “Transformar”, “Transgredir”, “Revolucionar”, “Humanizar”.    

Nesse ano defendeu sua tese e obteve o título de Doutor em filosofia e história da Educação. Em 30 de novembro de 1960 foi nomeado professor de ensino superior, nível 17, da cadeira de história e filosofia da Educação da Faculdade de Filosofia da Universidade do Recife, porém só assumiu o cargo no dia 2 de janeiro de 1961, entregando-o no dia 8 de outubro de 1964, quando foi aposentado por decreto público, publicado no “Diário Oficial” do dia 9 de outubro de 1964. Em 1962 criou e tornou-se o primeiro diretor do “Serviço de Extensão Cultural” da Universidade do Recife.  

No ano seguinte realizou a experiência de alfabetização em Angicos, Rio Grande do Norte, e criou as bases do “Programa Nacional de Alfabetização”, do governo de João Goulart, que foi extinto no mês de abril de 1964, com o golpe militar. 

No mesmo ano de 1964 foi convidado a “se explicar” aos acadêmicos, e depois, aos militares, respondendo a inquéritos administrativo e político-militar. Sem provas que o condenassem, foi preso por 70 dias. Por causa disso, pediu asilo junto à embaixada da Bolívia, para aonde viajou sozinho; a família viajou alguns meses depois. 

Na Bolívia passou 40 dias e depois foi para o Chile. Viveu em Santiago de novembro de 1964 a abril de 1969, onde trabalhou como educador. Foi assessor do “Instituto de Desarrolo Agropecuario”, do Ministério da Educação. Depois foi consultor do “Instituto de Capacitación y Investigación em Reforma Agraria”, juntamente com um funcionário da Unesco. 

Depois viajou para os Estados Unidos, onde viveu menos de um ano em Cambridge, estado de Massachussets, trabalhando como professor de pedagogia na Universidade de Harvard. Em seguida foi viver em Genebra, na Suíça, e trabalhou no setor de Educação do Conselho Mundial de Igrejas, entidade evangélica protetora de perseguidos políticos. Viajou ainda por outros países, como Guiné-Bissau, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe e Angola, sempre trabalhando com seu método de alfabetização. Seus livros começaram a ser traduzidos em vários idiomas. 

Paulo Freire voltou ao Brasil em agosto de 1979, sozinho, mas em junho de 1980 voltou definitivamente com a família. Recebeu então um convite para ser professor na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Depois, foi nomeado professor da Universidade Estadual de Campinas, onde participou da fundação do Centro de Estudos em Educação e Sociedade (CEDES). Foi também um dos fundadores e presidente honorário do Conselho Latino-americano de Educação de Adultos. 
Em 1986 recebeu o prêmio Unesco da Educação para a Paz; no dia 24 de outubro do mesmo ano perdeu sua esposa Elza. No ano seguinte integrou o Júri Internacional da Unesco, órgão que premia as melhores experiências de alfabetização do mundo. 

No dia 27 de março casou-se novamente, em cerimônia religiosa, no Recife, com Ana Maria Araújo Hasche, filha de Aluízio Araújo, professor que o ajudou na adolescência.  No mesmo ano recebeu convite da prefeita de São Paulo, Luíza Erundina de Souza, para ser secretário de Educação do município, quando tomou posse no dia 1º. de janeiro de 1989. Durante sua gestão criou o “MOVA-SP”, um movimento de alfabetização de jovens e adultos. Em 1991 afastou-se da Secretaria de Educação do município de São Paulo para escrever livros e voltou a lecionar na Puc do estado, demitindo-se da Unicamp. No mesmo ano foi um dos fundadores da Fundação Paulo Freire. 

Paulo Freire viveu o resto da vida escrevendo, até falecer, no dia 2 de maio de 1997, no hospital Albert Einstein, em São Paulo, vitimado por um infarto agudo no miocárdio. 

Obras: 
- A educação como prática da liberdade (1967), ed. Paz e Terra – RJ.
- Pedagogia do oprimido (1974), ed. Paz e Terra. 
- Extensão ou comunicação? (1971), ed. Paz e Terra. 
- Ação cultural para a liberdade e outros escritos (1976), ed. Paz e Terra. 
- Cartas à Guiné-Bissau – registros de uma experiência em processo (1977), ed. Paz e Terra. 
- A importância do ato de ler – em três artigos que se completam (1982), ed. Cortez/ Autores Associados. 
- Paulo Freire ao vivo – em colaboração com Aldo Vannuchi e Wlademir dos Santos (1983), ed. Loyola. 
- Essa escola chamada vida, em co-autoria com Frei Beto (1985), ed. Ática. 
- Por uma pedagogia da pergunta, em co-autoria com Antônio Faundez (1985), ed. Paz e Terra.  
- Pedagogia: diálogo e conflito, em co-autoria com Maria Gadotti e Sérgio Guimarães (1986), ed. Cortez. 
- Sobre educação (diálogos), com Sérgio Guimarães (vol. 1 - 1982; vol. 2 – 1984), ed. Paz e Terra. 
- Medo e ousadia – o cotidiano do professor, em co-autoria com Ira Schor (1987), ed. Paz e Terra. 
- Que fazer: teoria e prática em educação, diálogo com Adriano Nogueira (1988), ed. Vozes. 
- Aprendendo com a própria história, diálogos com Sérgio Guimarães (vol. 1 – 1987; vol. 2 – 2000), ed. Paz e Terra. 
- Alfabetização: leitura do mundo leitura da palavra, com Donaldo Macedo (1990), ed. Paz e Terra. 
- O caminho se faz caminhando; conversas sobre educação e mudança social, com Myles Horton (2002), ed. Vozes. 
- A África ensinando a gente: Angola, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe, com Sérgio Guimarães (2003), ed. Paz e Terra. 
- Pedagogia da esperança – um reencontro com a pedagogia do oprimido (1992), ed. Paz e Terra, com notas de Ana Maria Araújo Freire. 
- A educação na cidade, diálogos com vários educadores (1991), ed.Cortez. 
- Política e educação (1993), ed. Cortez. 
- Professora sim, tia não – cartas a quem ousa ensinar (1993), ed. Olho D’água. 
- À sombra desta mangueira, com notas de Ana Maria Araújo Freire (1995), ed. Olho D’água. 
- Cartas a Cristina – reflexões sobre minha vida e minha práxis (1994), ed. Paz e Terra. 2ª. edição, com as notas revistas de Ana Maria Araújo Freire (2003), Unesp. 
- Pedagogia da autonomia (1996), ed. Paz e Terra. 
-Pedagogia da indignação (2000), Pedagogia dos sonhos possíveis (2001) e Pedagogia da tolerância (2005), ed. Unesp. 
Essa relação da obra completa de Paulo Freire foi organizada por Ana Maria Araújo Freire. 

Bibliografia: 
PROJETO Memória: Paulo Freire. Fundação Banco do Brasil/ Odebrecht/Fome Zero/Petrobrás/Instituto Paulo Freire, 2005.     

(Texto: Eliza Ribeiro - Taperoá - PB - foto: internet) 

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