sábado, 13 de setembro de 2014

O banho de xampu (Elizabeth Bishop)

Os líquens - silenciosas explosões
Nas pedras - crescem e engordam,
Concêntricas, cinzentas concussões.
Têm um encontro marcado
Com os halos ao redor da Lua, embora
Até o momento nada tenha se alterado.

E como o céu há de nos dar guarida
Enquanto isso não se der,
Você há de convir, amiga,
Que se precipitou;
E eis no que dá. Porque o Tempo é,
Mais do que tudo, contemporizador.

No teu cabelo negro brilham estrelas
Cadentes, arredias.
Para aonde irão elas
Tão cedo, resolutas?
- Vem, deixa eu lavá-lo, aqui nesta bacia
Amassada e brilhante como a Lua.

(Poesia: Elizabeth Bishop - foto: internet)

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