segunda-feira, 8 de fevereiro de 2021

Se eu morresse amanhã de manhã: letra — Música de Clara Nunes


Se eu morresse amanhã de manhã 

Não faria falta a ninguém;

Eu seria um enterro qualquer, 

Sem saudade, sem luto também.



Ninguém telefona, ninguém;

Ninguém me procura, ninguém.

Eu grito, e o eco responde: ninguém!


Se eu morresse amanhã de manhã,

Minha falta ninguém sentiria;

O que eu fiz, o que eu fiz

Ninguém se lembraria.


(Clara Nunes  — Autor: Antônio Maria. 

Disco: "Brasileiro profissão esperança" — 1974 — Odeon SMOFB 3838.

Foto: internet.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2021

Samba da volta: letra — Música de Clara Nunes


Lalalaia, lalalaia... 

Você voltou, meu amor, a alegria que me deu!

Quando a porta abriu

Você me olhou, você sorriu, 

Ah, você se derreteu e se atirou,

Me envolveu, me brincou, conferiu o que era seu!


É verdade, eu reconheço, eu tantas fiz

Mas agora tanto faz!

O perdão pediu seu preço, meu amor;

Eu te amo e Deus é  mais!


(Clara Nunes — Autores: Toquinho/ Vinícius de Moraes)

Disco: "Alvorecer" — 1974 — Odeon — SMOFB 3835.

Foto: internet. 


segunda-feira, 1 de fevereiro de 2021

Sagarana: letra — Música de Clara Nunes


A ver, no en-sido, pelos campos- claros: estórias.

Se deu passado esse caso;

Vivência é memória.

Nos Gerais

A honra é que é que se apraz

Cada quão sabia sua distrição.

Vai que foi sobre esse 

Era uma-vez 'sas passagens:

Em beira-riacho morava o casal: 

Personagens, personagens, personagens.


A mulher tinha a morenês que se quer:

Verdeolhar, dos verdes do verde invejar.

Dentro lá deles

Diz-se que existia outros Gerais,

Quem o qual, dono seu, 

Esse era erroso, no a ponto de ser feliz demais

Ao que a vida, no bem e no mal dividida,

Um dia ela dá o que faltou... Ô, ô, ô...


É buriti, buritizais (bis)

É o batuque corrido dos Gerais.

O que aprendi, o que aprenderás

Que, nas veredas por em-redor, sagarana.

Uma coisa é o alto bom-buriti,

Outra coisa é  buritirana.


A pois que houve, no tempo das luas bonitas,

Um moço êveio: — viola enfeitada de fitas.

Vinha atrás de uns dias pra descanso e paz.

Galardão: mississo-redó: falanfão.

No-que: " — se abanque"

Que ele deu nos óio o verdejo. 

Foi se afogando; pensou que foi mar, 

Foi desejo, foi desejo, foi desejo.


Era ardor.

Doidava de verde o verdor,

E o rapaz quis logo querer os Gerais

E a dona deles.

— Que sim, que ela disse verdeal.


Quem o qual, dono seu, vendo as olhâncias, 

No avoo virou bicho-animal:

Cresceu nas facas:

O moço ficou sem ser macho,

E a moça sem verde ficou. Ô, ô, ô,


É buriti, buritizais. (Bis)

É o batuque corrido dos Gerais.

O que aprendi, o que aprenderás

Que nas veredas por em-redor, sagarana.

Uma coisa é o alto bom-buriti,

Outra coisa é o buritirana.


Quem quiser que cante outra,

Mas à moda dos Gerais.

Buriti: rei das veredas;

Guimarães: buritizais!

Guimarães: buritizais!

Guimarães: buritizais!



(Clara Nunes — Autores: Paulo César Pinheiro/João de Aquino)

Disco: "As forças da natureza" — 1977 — EMI-ODEON — XSMOFB 3946.

Foto: internet.




sexta-feira, 29 de janeiro de 2021

Sabiá: letra — Música de Clara Nunes


Vou voltar, sei que ainda vou voltar 

Para o meu lugar. 

Foi lá e é ainda lá 

Que eu hei de ouvir cantar uma sabiá.


Vou voltar, sei que ainda vou voltar;

Vou deitar à sombra de uma palmeira que já não há, 

Colher a flor que já  não dá,

E algum amor talvez possa espantar

As noites que eu não queria

E anunciar o dia.


Vou voltar, sei que ainda vou voltar;

Não vai ser em vão que fiz tantos planos

De me enganar. 

Como fiz enganos de me encontrar,

Como fiz estradas de me perder,

Fiz de tudo e nada de te esquecer.


Vou voltar, sei que ainda vou voltar

Para o meu lugar;

Foi lá e é ainda lá

Que eu hei de ouvir cantar

Uma sabiá. 


Vou voltar, sei que ainda vou voltar 

E é pra ficar;

Sei que o amor existe,

Eu não sou mais triste

E que a nova vida já vai chegar,

E que a solidão vai se acabar,

E que a solidão vai se acabar .


(Clara Nunes — Autores: Antônio Carlos Jobim/Chico Buarque)

Disco: "Você passa eu acho graça" — 1968 — Odeon — MOFB 3557.

Foto: internet. 




quarta-feira, 27 de janeiro de 2021

Sabiá: letra — Música de Clara Nunes


A todo mundo eu dou psiu 

Perguntando por meu bem;

Tendo o coração vazio,

Vivo assim, a dar psiu.

Sabiá,  vem cá também!



Tu, que andas pelo mundo,

Tu, que tanto já voou,

Tu, que fala aos passarinhos,

Alivia minha dor!

Tem pena "deu", tens, por favor!

Tu, que cantas pelo mundo,

Onde anda o meu amor, sabiá? 


A todo mundo eu dou psiu (siu)

Perguntando por meu bem (siu),

Tendo o coração vazio,

Vivo assim, a dar psiu.

Sabiá,  vem cá também!


Tu, que andas pelo mundo, (sabiá)

Tu, que tanto já voou, (sabiá)

Tu, que fala aos passarinhos, (sabiá)

Alivia minha dor! (Sabiá)

Tem pena "deu", (sabiá)

Tens, por favor! ( sabiá)

Tu, que cantas pelo mundo, (sabiá)

Onde anda o meu amor? (Sabiá).


(Clara Nunes — Autores: Luiz Gonzaga/Zé Dantas)

Disco: "Clara Nunes" — 1971— Odeon — MOFB 3667.

Foto: internet.

terça-feira, 26 de janeiro de 2021

Rua d'Aurora: letra — Música de Clara Nunes


Tempo passou sem demora

E agora é saudade da rua d'Aurora 

Que a gente ainda chora lembrando a idade

Que a felicidade brincou de ficar.


Tempo do amor primeiro, tão passageiro,

Da cantiga inocente, do sorriso contente 

Que a gente sorria pro dia alegrar.

Tempo correndo,

Passa pra não voltar;

Gente crescendo canta pra não chorar.


Hoje a rua d'Aurora não é como outrora:

Não tem brincadeira, não tem meninada

Jogando pelada ou pic-bandeira,

Pro tempo passar.


Mesmo a Lua antiga ficou tristonha,

Já não há mais cantiga,

Gente grande não sonha,

E a dor se abriga no jeito de olhar.

Tempo é fumaça, cedo se esvai no ar;

Tempo que passa, fica pra quem chorar.


(Clara Nunes — Autores: Fátima Gaspar/Durval Ferreira)

Disco: "Você passa eu acho graça" — 1968 — Odeon — MOFB 3557.

Foto: internet. 



segunda-feira, 25 de janeiro de 2021

Rosa 25: letra — Música de Clara Nunes


Lalaia, lalaia, lalaia...

Rosa 25 desceu o morro,

Não deixou endereço, sumiu. 

Rosa 25 desceu o morro,

Não deixou endereço, sumiu.



Não escreveu bilhete, não mandou recado;

Meu coração sentiu.

Não escreveu bilhete, não mandou recado;

Meu coração sentiu. 


Eu pensava que, pra ela, 

O morro seria seu jardim;

Entre entradas e saídas, Rosa 25 perdeu o costume.

Acalento pra mãe preta, um silêncio ritmado.

Até hoje o morro espera Rosa 25 pra sambar.

Lalaia, lalaia, lalaia...


(Clara Nunes  — Autora: Geovana)

Disco: "Clara Nunes" — 1971 — Odeon — MOFB 3667.

Foto: internet.