quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Pezinhos (Gabriela Mistral)

Pezinhos de criança
Azulados de frio
Como os veem e não os cobrem,
Deus meu!

Pezinhos feridos
Pelas pedras todas,
Ultrajados de neves
E lodos!

O homem cego ignora
Que por onde passais,
Uma flor de luz viva
Deixais;

Que ali, onde colocais
A plantinha sangrante,
O narco nasce mais perfumado.

Sede, posto que marchais
Pelos caminhos retos,
Heroicos como sois
Perfeitos.

Pezinhos de criança,
Duas joinhas sofridas,
Como passam sem ver
As pessoas!

(Poesia: Gabriela Mistral - foto: Eliza Ribeiro - Taperoá - PB)

sábado, 16 de novembro de 2013

Os hunos (Amiano Marcelino - oficial do exército romano)

"Quando ainda muito jovens, fazem-lhes com um ferro profundos ferimentos no rosto, a fim de que as cicatrizes que nele se formarem impeçam a saída do primeiro pelo: envelhecem desfigurados e sem barba. Todos eles têm, aliás, os membros vigorosos  e o pescoço grosso; têm aspecto extraordinário e tão curvado que poderão ser tomados por animais de dois pés ou por esses pilares grosseiramente esculpidos em figuras humanas que se vêem nas bordas das pontes. 


Não têm eles necessidade do fogo nem de comidas temperadas, mas vivem de raízes selvagens e de toda a espécie de carne que comem meio crua, depois de tê-la aquecida levemente sentando-se em cima durante algum tempo quando estão a cavalo. Não têm casas, não se encontra entre eles nem mesmo uma cabana coberta de caniço. Vestem-se de pano ou peles de ratos dos campos; têm apenas uma única roupa e não tiram a túnica senão quando cai em farrapos. Cobrem a cabeça com pequenos bonés caídos com peles de bode. São colados a seus cavalos, que são, na verdade, robustos mas feios; não existe nenhum dentre eles que não possa passar a noite e o dia sobre a montaria; é a cavalo que bebem, comem e, abaixando-se sobre o pescoço estreito do animal, dormem. Nenhum cultiva a terra nem toca mesmo um arado. Sem morada fixa, sem casas, erram por todos os lados e parecem sempre fugir com as suas carriolas. Como animais desprovidos de razão, ignoram inteiramente o que é o bem e o que é o mal; não têm religião, nem superstição; nada iguala a sua paixão pelo ouro."

(Texto - escrito pelo oficial do exército romano Amiano Marcelino - e foto: internet) 

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Mais uma vez...

Mais uma vez um beijo,
Mais uma vez uma companhia;
Um amor nascido do desejo,
Um amor, uma poesia...

Num apartamento tudo pode rolar:
Por uma janela aberta
Entram raios da Lua,
Uma nova fase para a vida...

Outra vez o nosso amor explode
Por todos os cantos,
Expulsando os jarros de flores,
Trazendo para o ambiente a traquinagem
De um amor selvagem...

(Poesia e foto: Eliza Ribeiro - Taperoá - PB)

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Torricelli

Evangelista Torricelli nasceu em Faenza ou Midigliano da Emília, norte da Itália, no dia 15 de outubro de 1608. Estudioso, surpreendeu seus contemporâneos quando publicou, em 1641, um tratado que comentava a obra de Galileu Galilei. Por causa disso, foi convidado pelo Grão-duque de Toscana para integrar a equipe de colaboradores de Galileu em Florença, já que o sábio cientista estava com mais de 78 anos de idade e quase cego. 

Três meses depois, no dia 8 de janeiro de 1642, com a morte de Galileu, Torricelli tornou-se seu sucessor, sendo nomeado matemático do Grão-duque. Aproveitou a oportunidade e dedicou-se ao trabalho nas áreas da matemática, física, mecânica, hidráulica, astronomia e arquitetura. Trabalhava num laboratório bem equipado, que possuía aparelhos para pesquisas em hidráulica, dinâmica, balística, óptica e engenharia militar. 

No ano 1643 ele descobriu o barômetro e estudou e planejou vários aparelhos: telescópios, microscópios, instrumentos ópticos de precisão. Também era grande matemático e geômetra. Segundo alguns, ele teria sido o verdadeiro descobridor do cálculo infinitesimal, fato atribuído a Isaac Newton. 

Durante grande parte de sua vida foi membro da Academia Del Cimento, clube científico dedicado aos estudos dos conhecimentos humanos, protegido pelo duque de Toscana, e dissolvido por ele quando se tornou cardeal de Roma. 

Em 1644 algumas obras foram reunidas sob o título de “Ópera Geométrica”, porém só foram publicadas totalmente no ano 1919. Nos últimos tempos de vida, Torricelli trabalhou dando aulas a cientistas italianos e de outros países europeus, até falecer, no dia 25 de outubro de 1647. 

Obras: 
“De Motu gravium Naturaliter Descendentium et Projectorum” (comentário sobre as obras de Galileu Galilei); “Dialoghis Delle Nuove Scienze”, etc. 
Bibliografia: 
ENCICLOPÉDIA Semanal Ilustrada Conhecer. Vol 2, fascículo 34. São Paulo, Abril, 1966.  

(Texto: Eliza Ribeiro - Taperoá - PB - foto: internet)  

domingo, 10 de novembro de 2013

O ninho (Alberto de Oliveira)

O musgo mais sedoso, a úsnea mais leve
Trouxe de longe o alegre passarinho,
E um dia inteiro ao Sol paciente esteve
Com o destro bico a arquitetar o ninho.

Da paina os vagos flocos cor de neve
Colhe, e por dentro o alfombra com carinho;
E armado, pronto enfim, suspenso, em breve,
Ei-lo, balouça à beira do caminho.



E a ave sobre ele as asas multicores
Estende e sonha. Sonha que o áureo pólen
E o néctar suga às mais brilhantes flores;

Sonha… Porém, de súbito, a violento
Abalo acorda. Em torno as folhas bolem…
É o vento! E o ninho lhe arrebata o vento!

(Poesia: Alberto de Oliveira - Foto: internet)

sábado, 9 de novembro de 2013

Santa Margarida Maria de Alacoque

Margarida Maria Alacoque nasceu no dia 22 de julho de 1647, território de Verosvres, cidade de Paray-le-Monial, França. Quando ainda era criança sentiu-se atraída pela oração, dedicando-se diariamente diante do Santíssimo Sacramento. Aos oito anos de idade perdeu o seu pai, sendo a partir daí criada por sua mãe e mais duas pessoas da família. 

Um dia foi acometida por inexplicável doença que a deixou paralítica por quatro anos. Prometeu a Nossa Senhora que, se fosse curada, seria uma de suas filhas. Recebida a graça, restabeleceu-se a sua saúde, e a partir daí levou uma vida normal, vestindo-se bem, enfeitando-se com joias e levando ativa vida social. 

Um dia renunciou a tudo para ensinar catecismo às crianças e fazer caridade aos pobres de sua terra. Atraída pela vida religiosa, no dia 20 de junho de 1671 apresentou-se ao Mosteiro da Visitação e, no dia 25 de agosto do mesmo ano, vestiu o hábito religioso. 

Levando a partir daí uma vida austera, no dia 1º de julho de 1673 alcançou outra graça quando se curou de forte afonia durante a “Te Deum”, na capela das irmãs da Visitação. Naquela ocasião sentiu-se envolvida por uma luz divina sob forma de criança em seus braços.

No dia 27 de dezembro de 1673 recebeu sua primeira revelação, quando estava diante do Santíssimo Sacramento: sentiu-se invadida pela presença de Jesus Cristo, quando Ele a fez se recostar sobre o seu peito e disse: “Meu Coração divino está tão inflamado de amor pelos homens e por ti, em particular, que já não consigo reter as chamas de sua ardente caridade. Necessito difundi-las aos homens por teu intermédio, a fim de enriquecê-los com os preciosos tesouros do Meu Coração. Eu te escolhi para a consecução deste grande desígnio...”.  

A partir daí o Sagrado Coração de Jesus visitou-a com frequência, especialmente nas primeiras sextas-feiras do mês. Algumas vezes Ele apareceu “mais radiante que o Sol e transparente como o cristal, com sua chaga adorável semelhante a uma fornalha de chamas vivas”, e convidou-a à confissão, à comunhão nas primeiras sextas-feiras de cada mês, à hora santa, e a honrar sua imagem. 

A aparição mais famosa aconteceu um junho de 1675, durante a oitava de Corpus Christi, quando Margarida Maria rezava diante do Santíssimo Sacramento. Na aparição Jesus revelou-lhe o seu Coração e lhe disse: “Eis este coração que tanto tem amado os homens, a ponto de exaurir-se para demonstrar-lhes Seu amor. Em retorno recebo da maior parte senão ingratidões, desprezos, ultrajes, sacrilégios, indiferenças... Eis que te peço que a primeira sexta-feira depois da oitava do Santíssimo Sacramento seja dedicada a uma festa especial para honrar o meu Coração, comungando neste dia e dando-lhe a devida reparação por meio de um ato de desagravo, para reparar as indignidades que recebeu durante o tempo em que esteve exposto sobre os altares; e prometo-te que o Meu Coração se dilatará para derramar com abundância as influências de Seu divino Amor sobre os que tributem esta divina honra e que procurem que ela lhe seja prestada”.  

A partir daquela aparição Margarida Maria pediu o apoio do padre jesuíta Cláudio de La Colombière, seu diretor espiritual, que, ao ouvir a santa, logo na sexta-feira seguinte, dia 21 de junho de 1675, consagrou-se ao Coração de Jesus, juntamente com Margarida, e os dois, juntos, começaram a difundir a nova devoção ao Sagrado Coração de Jesus. 

Por causa do seu trabalho, Margarida Maria logo foi eleita assistente da comunidade e, depois, nomeada mestra das noviças. Em 20 de julho de 1685 conseguiu a adesão das noviças sob seu comando ao Sagrado Coração de Jesus, quando elas se ajoelharam diante Dele. Em 21 de junho do ano seguinte a devoção ao Sagrado Coração já irradiava por toda a sua comunidade. Em 7 de setembro de 1688 foi erguida a primeira capela em honra do Sagrado Coração, com bênção solene, no Mosteiro da Visitação. A partir daí a devoção espalhou-se pelo mundo, e o Vaticano começou a receber cartas pedindo a oficialização da festa. O Papa Clemente XIII concedeu a primeira licença para a Polônia, em 1765; em 23 de agosto de 1856 Pio IX estendeu a devoção para a Igreja universal. 

No dia 22 de julho de 1690, dia de seu aniversário, Margarida Maria iniciou um retiro espiritual extraordinário de quarenta dias. São delas essas palavras: “É preciso que eu tenha minhas contas sempre prontas”. Em outubro do mesmo ano renovou seu retiro anual, mas foi acometida por uma grande febre. No dia 16 do mesmo mês recebeu a comunhão dizendo que seria a última de sua vida. No dia seguinte, por volta das 17h00, seu estado de saúde se agravou; às 19h00 teve uma forte crise, que a fez dizer à sua superiora: “Agora só preciso de Deus e de abismar-me no Coração de Jesus Cristo”. Margarida Maria Alacoque faleceu naquela mesma noite (17 de outubro de 1690), enquanto recebia de um sacerdote a unção dos enfermos.  

Em 13 de maio de 1920 Margarida Maria Alacoque foi canonizada oficialmente pela Igreja, pelo Papa Bento XV.        

Promessas do Sagrado Coração de Jesus a Santa Margarida Maria Alacoque:

    1 – Darei às almas dedicadas ao meu Coração todas as graças necessárias ao seu estado.
    2 – Farei reinar a paz em suas famílias.
    3 – Eu as consolarei em suas penas.
    4 – Serei seu refúgio seguro durante a vida e, sobretudo, na hora da morte.
    5 – Derramarei copiosas bênçãos sobre todas as suas empresas.
    6 – Os pecadores acharão em Meu Coração a fonte e o oceano infinito da misericórdia.      
    7 – As almas tíbias se tornarão fervorosas.
    8 – As almas fervorosas elevar-se-ão rapidamente a uma grande perfeição.
    9 – Abençoarei as casas em que se achar exposta e for venerada a imagem do Meu Coração.
  10 – Darei aos sacerdotes o dom de tocar os corações mais endurecidos.
  11 – As pessoas que propagarem esta devoção terão seus nomes escritos indelevelmente no Meu Coração.
  12 – O amor todo-poderoso do Meu Coração concederá a todos os que, por nove meses seguidos, confessarem-se e comungarem na primeira sexta-feira, a graça da perseverança final.

 Oração escrita por santa Margarida Maria Alacoque:

Despedaçado de dor
Senhor, por que não me concedes ser, por um só momento, a dona do coração de todos os homens, a fim de ressarcir, por meio do sacrifício que farei por eles, o esquecimento e a insensatez de todos os que não quiseram conhecer-te ou que, embora conhecendo-te, tão pouco te amaram? 
Tu, meu Deus, que vês o fundo do meu coração, olha a dor que sofro pelas minhas ingratidões e por te ver tratado tão indignamente. 
Eis-me, pois, Senhor, com o coração despedaçado de dor, humilhado, inclinado, pronto a receber de Tua mão tudo o que quiseres exigir de mim em reparação de tantos ultrajes. Amém.

Outra oração de Santa Margarida Maria Alacoque:

Eterno padre, permiti que eu vos ofereça o Coração de Jesus Cristo, Vosso amado Filho, como Ele se Vos oferece a si mesmo neste sacrifício.
Se é de Vosso agrado recebei, Senhor, esta oferta assim como todos os desejos, todos os sentimentos, todas as afeições, todos os movimentos, todos os atos deste Sagrado Coração.
São todos meus, pois Ele se imola por mim, e de ora avante recebei-os em satisfação de meus pecados em ação de graças por todos os Vossos benefícios. 
Recebei-os para me concederdes, por seus merecimentos, todas as graças que me são necessárias, principalmente a graça da perseverança final.
Recebei-os como outros tantos atos de amor, de adoração e de louvor, que ofereço à Vossa divina Majestade, pois é por Ele só que Vós sois dignamente honrado e glorificado. Amém.

Oração ao Bispo Cláudio de La Colombière – de Santa Margarida M. Alacoque:
                                  (Festa no dia 15 de fevereiro).   

Deus eterno e todo poderoso, que nestes últimos tempos nos destes um modelo perfeito de toda santidade na pessoa do bem-aventurado Pe. Cláudio de La Colombière, Vosso fiel servo da Companhia de Jesus, suplicamo-Vos, pela sua santa e poderosa intercessão junto ao Sagrado Coração de Jesus, que nos concedais a graça de imitá-lo na prática das virtudes da caridade, simplicidade e humildade, afim de que possamos alcançar também nós a felicidade eterna; por Jesus Cristo que vive e reina nos séculos dos séculos. Assim seja. (Pai Nosso, Ave Maria, Glória ao Pai). 
   
Tríduo a Santa Margarida Maria Alacoque
(Festa no dia 17 de outubro)

Primeiro dia

I – Ó grande Santa Margarida Maria, que só ao ouvirdes a palavra pecado, sentíeis o coração traspassado de profunda dor, impetrai para mim e para todos os pecadores grande horror ao pecado, e a graça de não tornar a contristar o amantíssimo Coração de Jesus com as minhas infidelidades e ingratidões. 
(Pai Nosso, Ave Maria, Glória ao Pai).   
   
II – Ó grande Santa Margarida, que pela vossa sincera humildade tanto agradaste ao dulcíssimo Coração de Jesus, alcançai-me a graça de imitar-vos e de gravar profundamente em meu coração estas palavras do divino Mestre: “Aprendei de mim que sou manso e humilde de coração”. 
(Pai Nosso, Ave Maria, Glória ao Pai).

III – Ó grande Santa Margarida, que tanto amaste o sofrimento por amor de Jesus, alentai a minha fraqueza, obtendo-me a graça de sofrer, quando não com alegria, ao menos com paciência, as tribulações e adversidades que me afligem e as que aprouver ao Senhor enviar-me no futuro... 
(Pai Nosso, Ave Maria, Glória ao Pai).
   
Depois pode-se rezar a ladainha de Nossa Senhora, com o versículo e oração de Santa Margarida.   
         
Segundo dia

I – Ó grande Santa Margarida, que fostes escolhida para promover a devoção ao Sagrado Coração de Jesus, alcançai-me grande amor a esse Coração adorável, de sorte que possa gozar dos frutos de tão salutar devoção.
(Pai Nosso, Ave Maria, Glória ao Pai). 
  
II – Ó grande Santa Margarida, que nos deixaste escrito: “A devoção ao Coração de Jesus não consiste só na oração, mas é principalmente uma devoção de perfeita imitação”, alcançai-me a graça de imitar as virtudes deste divino Coração e especialmente a Sua doçura, humildade e caridade.
(Pai Nosso, Ave Maria, Glória ao Pai). 

III – Ó grande Santa Margarida, que fostes vítima de obediência ao vosso celeste Esposo e aos vossos superiores, alcançai-me a graça de triunfar do orgulho e de obedecer docilmente a todos os que fazem para comigo as vezes de Deus.
(Pai Nosso, Ave Maria, Glória ao Pai).  

Terceiro Dia

   I – Ó grande Santa Margarida, que pela vossa fidelidade à graça de Deus chegastes à mais sublime e heroica santidade, compadecei-vos de minha inconstância; e fazei que eu compreenda que da docilidade e fidelidade depende a minha santificação e eterna felicidade.
(Pai Nosso, Ave Maria, Glória ao Pai).     

II – Ó grande Santa Margarida, que pelas vossas virtudes merecestes o privilégio de ter sempre a Deus intimamente presente e de ter a vossa morada no Coração de Jesus, com a vossa intercessão alcançai-me o desapego de qualquer afeto ao mundo e a mim mesmo, para que ande sempre na presença de Deus em união com o Coração de Jesus.
(Pai Nosso, Ave Maria, Glória ao Pai). 
   
III – Ó grande Santa Margarida, que na oração, e especialmente na adoração ao Santíssimo Sacramento, acháveis as vossas delícias, alcançai-me sólida e constante devoção a este augustíssimo mistério, de modo que seja a minha consolação na vida e o meu refúgio na hora da morte. Assim seja.
(Pai Nosso, Ave Maria, Glória ao Pai). 

Oração para o dia da festa

Bem-aventurada Santa Margarida, honra e glória da Ordem da Visitação de Nossa Senhora, insigne propagadora do culto do Sagrado Coração de Jesus, quem melhor que vós me poderá alcançar esta devoção tão doce, tão santa e tão salutar? Vós fostes por Jesus declarada a discípula predileta do Seu Santíssimo Coração, herdeira Dele e de todos os Seus tesouros no tempo e na eternidade. Vós quisestes antes sofrer neste mundo, propagando as Suas glórias, do que ir gozá-lo no céu entre os Serafins; e com quanto júbilo, quando ainda vivíeis, vistes venerado por toda a parte o Sagrado Coração de Jesus! Se aqui na Terra fostes tão caridosa com quem contrariava o vosso zelo em promover as glórias do Sagrado Coração a ponto de alcançar-lhe prodígios de graça, que não fareis agora por quem vos pede chamas de amor para poder com amor retribuir a quem tanto nos tem amado? Ah! Intercedei para que cresça em nós cada vez mais este santo fervor, e se estenda por todo o mundo esta devoção, para que voltem os desgarrados ao bom caminho e reapareçam na Terra dias serenos e de paz. Assim seja.     

Oração a Santa Margarida Maria Alacoque

Ó Santa Margarida Maria, a quem o Sagrado Coração de Jesus fez participante de seus tesouros divinos, nós vos suplicamos que nos alcanceis deste Coração adorável as graças de que temos necessidade. Nós lhas pedimos com ilimitada confiança. Digne-se o Coração divino nos conceder, pela vossa intercessão, afim de que Ele seja mais uma vez glorificado e amado por vosso meio. Assim seja.
Rogai por nós, santa Margarida.
Resposta: Para que sejamos dignos das promessas de Cristo.
Oremos:
Senhor Jesus Cristo, que revelastes maravilhosamente as insondáveis riquezas de vosso Coração à virgem Santa Margarida Maria Alacoque, concedei-nos pelos seus merecimentos e à sua imitação que, amando-vos em tudo e sobre todas as coisas, mereçamos ter perpétua morada neste mesmo vosso Coração. Que viveis e reinais pelos séculos dos séculos. Amém.  

Bibliografia:
Revista Mensageiro do Coração de Jesus, págs. 24-27, novembro, 1990.
Sciadini, Frei Patrício. Em busca do mesmo Deus, pág. 100. Edições paulinas, São Paulo, 1980.
Manual do Coração de Jesus, 26ª edição, págs. 362-367. Mensageiro do Coração de Jesus, Rio de Janeiro, 1951. 

          
(Texto: Eliza Ribeiro - Taperoá - PB - foto: Internet)

Velásquez

Diego Rodríguez de Silva Velásquez nasceu em Sevilha no ano 1599. Seu primeiro professor na arte da pintura foi Herrera, o velho, um homem muito severo que fez Velásquez mudar de atelier e mestre, quando procurou Francisco Pacheco, de quem se tornou genro, ao se casar com sua filha Juana Pacheco. Morou com a família de sua esposa durante cinco anos, quando frequentou a elite de Sevilha. 

As primeiras obras do pintor surgiram nesse período de convívio com os Pacheco, entre os anos 1618 e 1623, com os temas mais concentrados na natureza. Entre essas obras destacam-se “O Aguadeiro”, que o rei Fernando VII presenteou-a ao Duque de Wellington; “A adoração dos pastores” e “Adoração dos reis magos”, usando o claro-escuro como cores do seu estilo, uma tendência da época. 

Velásquez fez sua primeira viagem a Madri em 1622, com cartas de recomendações a algumas personalidades da corte. Recebeu o apoio do Conde-duque de Olivares, mas não pintou o retrato do rei Filipe IV porque ele estava viajando pela Catalunha e Aragão. Voltou então para Sevilha, mas um ano depois foi chamado de volta a Madri pelo Conde-duque, que o apresentou ao rei. Admirado por um retrato que Velásquez fez do cortesão Juan de Fonseca, Filipe IV encomendou um trabalho ao pintor. 

Velásquez pintou o rei Filipe IV montado a cavalo, causando admiração por toda a corte. Alguns meses depois fez outro retrato do rei, além de pintar o infante dom Carlos e outras personalidades da Família Real. No ano 1627 o rei promoveu um concurso pictórico para comemorar a expulsão dos mouriscos, cujo prêmio seria o de se tornar cavaleiro da corte. Velásquez participou desse concurso e venceu concorrentes como Carducci, Caxei e Nardi. A partir daí foi reconhecido como único pintor do rei, tornando-se pintor oficial da corte. 

Em 1630 fez uma viagem à Itália, para estudar as obras dos grandes mestres italianos em seu próprio ambiente, e se dedicou totalmente aos estudos, o que o levou a não produzir nenhuma pintura nesse período. 

Em visita a Veneza, apaixonou-se pelas obras de Ticiano e Tintoretto, quando estudou e copiou algumas delas. Pintou os quadros “A forja de vulcano” e “A túnica de José”. Ainda passou por Nápoles, onde conheceu seu compatriota Ribera, conseguindo, através dele, que o rei de Nápoles lhe comprasse alguns quadros. Em Nápoles pintou um de seus melhores quadros, o da “Infanta dona Maria”, irmã do rei Filipe IV. 

Durante essa viagem à Itália, Velásquez mudou um pouco seu estilo, mudando as cores dos seus quadros, além de imprimir maior elegância no desenho, principalmente nos seus “nus”, e, na sua volta a Madri, ao pintar o rei Filipe IV em trajes de caça e o Conde-duque de Olivares. 

De volta à corte espanhola, retornou também ao seu antigo estilo, trazendo os tons crus aos seus trabalhos. Conheceu então as obras de El Greco, copiando um pouco seu estilo nos novos quadros. A partir daí iniciou uma série de retratos de bufões, idiotas e anões da corte de Filipe IV, obras que ocupavam muito o seu tempo, onde empregou as cores branca, preta, acre e um vermelhidão. Em outros quadros usou cores variadas, como no “Cristo atado à coluna”, “A rendição de Breda” e o “Cristo crucificado”. 

Velásquez voltou novamente à Itália, chegando a Veneza no ano 1649. Dessa vez em viagem oficial, pois iria comprar obras de pintura e escultura para o palácio do rei Filipe IV. Adquiriu obras de Tintoretto, Ticiano e El Veronês; adquiriu outras obras em viagens por Roma, Florença, Nápoles e Bolonha. Aproveitou a oportunidade para pintar o quadro do Papa Inocêncio X, onde o vermelho dominava sobre todo o quadro. 

Voltando a Madri, foi nomeado por Filipe IV como encarregado do palácio, cargo que tomava todo o seu tempo. Obrigado a pintar grandes quadros para a corte, Velásquez simplificou sua técnica, o que levou os críticos a classificarem sua nova fase como sendo ousada e impressionista. 
Nessa nova fase, juntou a sobriedade e a qualidade das cores. Pintou “O coração da virgem”, “As fiandeiras” os eremitas “São Paulo e Santo Antônio Abade”, e os retratos dos anões e bufões “Esopo, Menippo e niño de Vallecas”. O quadro “As meninas”, qualificado como “a teologia da pintura”, trouxe muito prestígio para o artista. 

Velásquez fez uma viagem à ilha dos Faisões, acompanhando o rei Filipe IV com uma comitiva. Por ser o principal encarregado e cavaleiro do Hábito de São Tiago, foi o responsável por toda a decoração do pavilhão real que abrigou a todos. 

De volta a Madri, foi vencido pelo cansaço do trabalho e da viagem, chegando a falecer no dia 6 de agosto de 1660. Foi sepultado com todas as honras de um cavaleiro santiaguista, no jazigo do seu amigo dom Gaspar de Fuensalida, na igreja paroquial de São João. Sua mulher morreria oito anos depois, e sepultada no mesmo local. 

Bibliografia: 
ENCICLOPÉDIA Novo Tesouro da Juventude. Vol. XII, págs. 259 a 266. São Paulo, Opus, 1980. 
ENCICLOPÉDIA Delta Larousse. Vol. VIII, pág. 4130. Rio de Janeiro, Delta S. A., 1967. 

(Texto: Eliza Ribeiro - Taperoá - PB  foto: internet)