domingo, 2 de dezembro de 2012

Anoitecer (Carlos Drumond de Andrade)


É a hora em que o sino toca,
Mas aqui não há sinos;
Há somente buzinas,
Sirenes roucas, apitos
Aflitos, pungentes, trágicos,
Uivando escuro segredo;
Desta hora tenho medo.

É a hora em que o pássaro volta,
Mas de há muito não há pássaros;
Só multidões compactas
Escorrendo exaustas
Como espesso óleo
Que impregna o lajedo;
Desta hora tenho medo.

É hora do descanso,
Mas o descanso vem tarde,
O corpo não pede sono,
Depois de tanto rodar;
Pede paz - morte - mergulho
No poço mais ermo e quedo;
Desta hora tenho medo.

Hora de delicadeza,
Gasalho, sombra, silêncio.
Haverá disso no mundo?
É antes a hora dos corvos
Bicando em mim, meu passado,
Meu futuro, meu degredo;
Desta hora, sim, tenho medo.

(Poesia: Carlos Drumond de Andrade - Foto: Eliza Ribeiro - Taperoá - PB)

Não te arrependerias


Saudade!
Meu coração está pesaroso de saudade!
Refreio meu desejo,
Tão refugiado em outros sentimentos...

Olho a vida à minha volta
E sinto falta de alguma coisa;
Sinto saudade de ti, eu sei,
É por ti que meu coração clama!

Recusas a entender meu olhar,
Recusas a entender meus torpedos;
Temo que sofrerei,
Temo que não aceitarás o meu amor!

Resmungo pelas ruas,
Torpedeio meu coração inquieto
Que sempre procura a rua onde moras
Para te ver, para ouvir tua voz...

Ó meu amor,
Quisera agora sentir teu corpo em mim,
O calor do teu corpo em mim!
Garanto, meu amor,
Eu garanto que não te arrependerias
Se te entregasses a mim!

Inquieta sou,
Às vezes até ignorante,
Mas o meu regaço é descanso garantido;
Tu ficarias feliz em dormir comigo!

(Poesia e foto: Eliza Ribeiro - Taperoá - PB)

Nas páginas do meu livro


Nas páginas do meu livro
Escrevi o que és para mim:
Uma pessoa que marca meu viver,
Uma pessoa muito especial...

Nas páginas do meu livro
Escrevi o que sou para ti:
Uma pessoa real,
Com um amor sem fim...

Muitas poesias escrevo em meu viver,
Viver contigo
É tão bom viver...

Se as páginas do meu livro
Estão chegando ao fim,
Não é por falta de sentimento,
Amor por ti,
Mas é porque nossa história de amor
Vai outro livro abrir...

(Poesia e foto: Eliza Ribeiro - Taperoá - PB)

Meu coração te pede para ficar


Partirás:
Ficam os bons sonhos,
Fica o amor,
Fica a vida...

Partirás:
Levas meu beijo,
Meu sentido de viver,
Minha certeza da tua volta...

Partir é buscar vida nova,
Nova linguagem;
Meu coração te pede para ficar,
Mas meus lábios te desejam boa viagem!

(Poesia e foto: Eliza Ribeiro - Taperoá - PB)

sábado, 1 de dezembro de 2012

Vem viver comigo


Vem viver o que há para viver,
Vem dividir comigo o dia-a-dia;
Preciso de ti para seguir,
Pois a estrada é tristonha sem tua companhia...

Estou te chamando de meu amor,
Estou te convidando a seguir meu caminho,
Construir comigo nosso ninho...

Há cantos de pássaros por todo lugar,
Há flores se abrindo;
Há o meu amor por ti se revelando,
Há minha vida para ti sorrindo...

Vem viver o que há para viver,
E não importa se todos riem da gente;
Ninguém sabe a medida do amor,
Da chama que dentro da gente arde...


Já é tarde, a noite vem;
Vem viver comigo o frio e o calor,
A dor e o prazer; vem...

(Poesia e foto: Eliza Ribeiro - Taperoá - PB)

Tendo a Lua (Os Paralamas do Sucesso)


Eu hoje joguei tanta coisa fora,
E vi o meu passado passar por mim;
Cartas e fotografias, gente que foi embora,
A casa fica bem melhor assim...

O céu de Ícaro tem mais poesia que o de Galileu,
E lendo teus bilhetes, eu penso no que fiz,
Querendo ver o mais distante e sem saber voar,
Desprezando as asas que você me deu...

Tendo a lua aquela gravidade aonde o homem flutua
Merecia a visita não de militares, mas de bailarinos e de você e eu...

Hoje joguei tanta coisa fora
E lendo teus bilhetes, eu penso no que fiz;
Cartas e fotografias, gente que foi embora,
A casa fica bem melhor assim...

(Tendo a Lua - Os Paralamas do Sucesso)

O plantador (Geraldo Vandré)


Quanto mais eu ando
Mais vejo estrada
Mas se eu não caminho
Não sou é nada.

Se tenho a poeira
Como companheira
Faço da poeira
O meu camarada.    (Bis)

O dono quer ver a terra plantada
Diz de mim que vou
Pela grande estrada:
“Deixem-no morrer,
Não lhe deem água,
Que ele é preguiçoso
E não planta nada”.

Eu que plantei tudo
E não tenho nada
Ouço tudo e calo na caminhada.
Deixo que ele diga
Que sou preguiçoso
Mas não planto em tempo
Que é de queimada.                 (Bis)