domingo, 7 de março de 2021

Serrinha: letra — Música de Clara Nunes


Serrinha,

É o império do samba chegando,

É o povo te homenageando,

Te escolhendo como a preferida!

Serrinha,

Que no meio de tanta riqueza 

É uma dama da alta nobreza

No cortejo real da avenida!


Mas que sedução, que triunfal 

Teu pavilhão imperial!

Tens tradição, és imortal!

Sobre as cores verde e branco

Repousa a coroa do império sobre o carnaval!


Mesmo quando perde, o povo grita: é o vencedor,

Porque o povo tem o coração de imperador!

Império Serrano é a minha escola que dá prazer;

É o prazer da Serrinha,

E nós orgulhamos de dizer: 

Imperial, Imperial, eu sou também,

É  voz geral!

Por isso vem, vem, pessoal,

E vamos jurar a bandeira Imperial!


(Clara Nunes — Autores: Paulo César Pinheiro/Mauro Duarte)

Disco: "Nação" — 1982 — EMI-ODEON — 062 421236.

Foto: internet.


terça-feira, 2 de março de 2021

Serenata do adeus: letra — Música de Clara Nunes


Ai, a Lua que no céu surgiu

Não é a mesma que te viu nascer dos braços meus;

Cai a noite sobre o nosso amor,

E agora só restou do amor uma palavra: adeus!


Ai, vontade de ficar,

Mas tendo de ir embora;

Ai, que amar é se ir morrendo pela vida afora,

É  refletir na lágrima um momento breve

De uma estrela pura, cuja luz morreu.


Ai, mulher, estrela a refulgir, 

Parte, mas antes de partir rasga o meu coração,

Crava as garras no meu peito em dor

E esvai em sangue todo o amor,

Toda desilusão.


Ai, vontade de ficar, mas tendo de ir embora;

Ai, que amar é se ir morrendo pela vida afora,

É  refletir na lágrima um momento breve 

De uma estrela pura, cuja luz morreu 

Numa noite escura, triste como eu!


(Clara Nunes — Autor: Vinícius de Moraes)

Álbum: "Moça , poeta e Violão"

Show realizado por Clara, Vinícius e Toquinho no Teatro Castro Alves,

Salvador, Bahia, em 27 de fevereiro de 1973.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2021

Senhora das candeias: letra — Música de Clara Nunes.


Eu não sou daqui, não sou;

Eu sou de lá!

Eu não sou daqui, não sou;

Eu sou de lá!




A Lua cheia,  a Lua cheia,

Quando bate nas aldeias, 

A menina das candeias cirandeia ao luar.

O seu lamento tem um jeito de acalanto 

Que o rio, feito um pranto,

Vai levando para o mar.

Meu coração é feito de pedra de ouro,

O meu peito é um tesouro que ninguém pode pegar.


Eu não sou,  eu não sou daqui, não sou;

Eu sou de lá!

Eu não sou daqui, não sou;

Eu sou de lá!


A noite ficou mais faceira, 

Pois dentro da ribeira apareceu,

Com suas prendas e bordados, 

Seus cabelos tão dourados,

Que o Sol não conheceu.


A menina-moça debutante,

Que namora pelas fontes que a natureza lhe deu,

É Oxum, ê Oxum,  ê Oxum,  senhora das candeias!

Que tristeza que me dá 

Saber que suas mãos são tão pequenas 

Pra matar quem envenena ,

Pra punir quem faz o mal.

Cegar punhal, cegar punhal que fere tanto,

Pra mostrar que seu encanto é uma coisa natural.


(Clara Nunes — Autores: Toninho/ Romildo Bastos)

Disco: As forças da natureza" — 1977 — EMI-ODEON — XSMOFB 3946.

Foto: internet. 

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2021

Sempre Mangueira: letra — Música de Clara Nunes


Ô, ô, ô, ô!

Foi Mangueira que chegou!

Ô, ô, ô, ô!

Foi Mangueira que chegou!

Mangueira é celeiro de bambas, como eu!

Portela também teve o Paulo, que morreu,

Mas o sambista vive eternamente  (Bis)

No coração da gente.


Os versos de Mangueira são modestos,

Mas há sempre força de expressão;

Nossos barracos são castelos 

Em nossa imaginação!


Ô, ô, ô, ô, 

Foi Mangueira que chegou!

Ô, ô, ô, ô,

Foi Mangueira que chegou!


(Clara Nunes — Autores: Geraldo Queiroz/Nelson Cavaquinho)

Disco: "Clara Clarice Clara" — 1972 — Odeon — MOFB 3709.

Foto: internet. 


quinta-feira, 18 de fevereiro de 2021

Sem companhia: letra — Música de Clara Nunes


Tudo que esperei de um grande amor

Era só juramento 

Que o primeiro vento carregou.

Outra vez tentei, mas pouco durou;

Era um golpe de sorte

Que um vento mais forte derrubou!


E assim, de quando em quando,

Eu fui amando mais;

Passei por ventos brandos, 

Passei por temporais.


Agora estou num cais

Onde há uma eterna calmaria

E eu não aguento mais

Viver em paz, sem companhia.


(Clara Nunes — Autores: Ivor Lancellotti/Paulo César Pinheiro)

Disco: "Brasil mestiço" — 1980 — EMI-ODEON — 062 421207.

Foto: internet.


sexta-feira, 12 de fevereiro de 2021

Seca do nordeste: letra — Música de Clara Nunes



Ô, ô, ô, ô, ô...

Oh,  Sol! Sol escaldante, terra poeirenta, 

Dias e dias, meses e meses sem chover

E o pobre lavrador, com a ferramenta rude,

Dá forte no solo duro.

Em cada pancada parece gemer: hum...hum...hummm...

Geme a terra, de dor, ô, ô, ô, ô...

Não adianta meu lamento, meu senhor, ô, ô, ô, ô...


E a chuva não vem,

O chão continua seco e poeirento.

No auge do desespero,

Uns se revoltam contra Deus, outros rezam com fervor:

"— Nosso gado está sedento, meu Senhor;

Nos livrai desta desgraça!"


O céu escurece, 

As nuvens parecem grandes rolos de fumaça:

Chove no coração do Brasil,

E o lavrador retira o seu chapéu,

E, olhando o firmamento,

Suas lágrimas se unem com as dádivas do céu.

O gado muge de alegria,

Parece entoar uma linda melodia:

Ô, ô, ô, ô, ô...


(Clara Nunes — Autores: Gilberto Andrade/Waldir de Oliveira)

Disco: "Clara Clarice Clara" — 1972 — Odeon — MOFB 3709.

Foto: internet. 





terça-feira, 9 de fevereiro de 2021

Se todos fossem iguais a você: letra — Música de Clara Nunes


Se todos fossem iguais a você 

Que maravilha viver!

Uma canção pelo ar,

Uma mulher a cantar,

Uma cidade a cantar,

A sorrir, a cantar, a pedir a beleza de amar!


Como o Sol, como a flor, como a luz,

Amar sem mentir nem sofrer;

Existiria a verdade, verdade que ninguém vê, 

Se todos fossem, no mundo, iguais a você! 


(Clara Nunes — Autores: Tom Jobim/ Vinícius de Moraes)

Disco: "Moça, poeta e violão".