sábado, 21 de janeiro de 2017

Clarice: Letra - música de Clara Nunes

Há muita gente apagada pelo tempo
Nos papéis desta lembrança que tão pouco me ficou
Igrejas brancas, luas claras nas varandas
Jardins de sonho e cirandas, foguetes claros no ar.

Que mistério tem Clarice
Que mistério tem Clarice
Pra guardar-se assim tão firme, no coração
Clarice era morena como as manhãs são morenas.

Era pequena no jeito de não ser quase ninguém
Andou conosco caminhos de frutas e passarinhos
Mas jamais quis se despir entre os meninos e os peixes
Entre os meninos e os peixes, entre os meninos e os peixes do rio, do rio.

Que mistério tem Clarice
Que mistério tem Clarice
Pra guardar-se assim tão firme, no coração
Tinha receio do frio, medo de assombração.

Um corpo que não mostrava feito de adivinhações
Os botões sempre fechados, Clarice tinha o recato de convento e procissão
Eu pergunto o mistério, que mistério tem Clarice
Pra guardar-se assim tão firme, no coração.

Soldado fez continência, o coronel reverência
O padre fez penitência, três novenas e uma trezena
Mas Clarice era a inocência, nunca mostrou-se a ninguém
Fez-se modelo das lendas, fez-se modelo das lendas.

Das lendas que nos contaram as avós
Que mistério tem Clarice
Que mistério tem Clarice
Pra guardar-se assim tão firme, no coração.

Tem que um dia amanhecia e Clarice
Assistiu minha partida, chorando pediu lembranças
E vendo o barco se afastar de Amaralina
Desesperadamente linda, soluçando e lentamente.

E lentamente despiu o corpo moreno
E entre todos os presentes
Até que seu amor sumisse
Permaneceu no adeus chorando e nua.

Para que a tivesse toda
Todo o tempo que existisse
Que mistério tem Clarice
Que mistério tem Clarice
Pra guardar-se assim tão firme, no coração.

Canta: Clara Nunes – autores: Capinan/Caetano Veloso
Disco: Clara Clarice Clara – 1972
Odeon – MOFB 3709

quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

Cinto cruzado: Letra - Música de Clara Nunes

Mandacaru é vermelho como o Sol do sertão
Cacimba seca é o espelho, pega fogo no chão,
Sem água o gado se perde;
O que mata o boi mata o verde: é sede.

Barriga grande de filho é barro, é bicho, é inchação,
Que o fim do magro novilho é o bico do gavião,
Sem mato o gado não come;
O que mata o boi, mata o “home”: é fome.

Eh! Vida de cão! Trabalha e nunca tem nada não.
Danação! Arrancando o couro pro patrão
Pros “feitor” e pros “macaco” só pedindo proteção
A Corisco, a Ventania, a Vorta-seca, a Lampião;
Aí que eles vão ver como se dança o baião.

Bota o cristão de joelho pra sangrar o coração
E sai o facão vermelho igual luar do sertão
Pros “coroné” só o cangaço,
No parabelo ou no braço ou no aço
Ou segue enxada no agreste ou pedra na construção;
Sina de pobre é má sorte,
Paz de caboclo do norte é morte,
É só provação,
É dono de engenho e capitão,
Perdição,
Na fé no “padim Ciço Romão”.

Vou botar cinto cruzado, peixeira, chapéu, gibão,
Acender nome de guerra no pavio de Lampião;
Aí que eles vão ver como se dança o baião.

Mandacaru é vermelho...

Canta: Clara Nunes – Autores: Guinga/Paulo César Pinheiro
Disco: Nação – 1982
EMI-Odeon – 062 421236

Cheguei à conclusão: Letra - Música de Clara Nunes

Você mentiu,
Chorou, depois sorriu;
Cheguei à conclusão
De que você não tem coração.    (Bis)

Seu mal não quero ver,
Procure me esquecer;
A vida é mesmo assim,
E o nosso amor chegou ao fim.

Canta: Clara Nunes – Autor: Darcy da Mangueira
Disco: Você passa eu acho graça – 1968
Odeon – MOFB 3557

Castigo: Letra - Música de Clara Nunes

A gente briga,
Diz tanta coisa que não quer dizer
Briga pensando que não vai sofrer
Que não faz mal se tudo terminar.

Vem belo dia a gente entende
Que ficou sozinha
Vem a vontade de chorar baixinho
Vem o desejo triste de voltar...

Você se lembra,
Foi isto mesmo que se deu comigo
Eu tive orgulho e tenho por castigo
A vida inteira pra me arrepender.

Se eu soubesse
Naquele dia o que sei agora
Eu não seria esta mulher que chora,
Eu não teria perdido você.

Canta: Clara Nunes -  Autora: Dolores Duran
Disco: Brasileiro Profissão Esperança
Odeon – SMOFB 3838

Casinha pequenina: Letra - Música de Clara Nunes

Tu não te lembras da casinha pequenina
Onde o nosso amor nasceu
Tu não te lembras da casinha pequenina
Onde o nosso amor nasceu.
Tinha um coqueiro do lado
Que, coitado, de saudade já morreu.  (Bis)

É verdade, é verdade,
Coqueiro deu um suspiro e morreu
É verdade, é verdade,
O resto dessa saudade sou eu.              (Bis)

Tu não te lembras das juras e perjuras
Que fizeste com fervor
Tu não te lembras das juras e perjuras
Que fizeste com fervor.
Daquele beijo demorado, prolongado,
Que selou nosso amor,
Daquele beijo demorado, prolongado
Que selou nosso amor. 

Autor: Folclore
Disco: A beleza que canta – 1969
Odeon – MOFB 3594

domingo, 25 de setembro de 2016

Canto das três raças: Letra - música de Clara Nunes

Ninguém ouviu
Um soluçar de dor
No canto do Brasil
Um lamento triste sempre ecoou
Desde que o índio guerreiro
Foi pro cativeiro
E de lá cantou
Negro entoou
Um canto de revolta pelos ares
Do Quilombo dos Palmares onde se refugiou
Fora a luta dos Inconfidentes
Pela quebra das correntes
Nada adiantou
E de guerra em paz, de paz em guerra
Todo povo dessa terra
Quando pode cantar, canta de dor
E ecoa noite e dia
É ensurdecedor
Ai, mas que agonia
O canto do trabalhador
Esse canto que devia
Ser um canto de alegria
Soa apenas como um soluçar de dor.

Clara Nunes – autores: Paulo César Pinheiro/Mauro Duarte
Disco: Canto das três raças
EMI-Odeon – XSMOFB 3915 - 1976

Canseira: Letra - Música de Clara Nunes

Canseira...
De andar na minha estrada
E nunca chegar.

Canseira...
Nos caminhos que eu caminho
Ela não está.

Talvez minha amada
Não saiba que eu sofro
Caminhando por aí.

A noite caindo, silêncio na praça,
Minha vida é procurar
Inverno feito de brisa caindo lá do céu;
Vou solitário na rua, perdido de você.

Canta: Clara Nunes – Autores: Odibar/Paulo Diniz
Disco: Clara Nunes – 1971 – 
Odeon – MOFB - 3667