quinta-feira, 10 de julho de 2014

Navegar contigo


Navegar contigo 
Navegaria,
Se me envolvesse a nostalgia...

Contigo atravessaria mil mares,
Se eu tivesse mil lares
Para aonde retornar...

Em alto-mar,
contigo contemplaria estrelas,
E por causa delas
Contigo me casaria...

Oh, mas o que desejo
É somente um beijo,
Um rabisco de olhar...

Porque sou marinheiro caprichoso
Que conhece todos os lugares 
Mas a nada quer se prender... 

(Poesia: Bete Diniz - Taperoá - PB - foto: Carlos Diniz - Rio de Janeiro - RJ) 

terça-feira, 8 de julho de 2014

O meu amor já vem


Enfrento a solidão:
Noite sem estrelas,
E nem a Lua apareceu
Para abrilhantar minha rua...

Correrei contra o vento,
Correrei,
Para buscar quem eu tanto amei...

Neblina escorre pelo calçamento,
Escorre entre meus dedos meu pensamento;
Vou buscar meu amor de qualquer jeito...

Não dá, não dá,
Para ficar sem carinho, sem sorriso, sem amor...
Vou correndo ao encontro de quem espero...

Que já vem, que já vem;
O meu amor corre contra o vento,
Inevitável reencontro:
O meu amor invade meu pensamento...
(Poesia e foto: Bete Diniz - Taperoá - PB)

Brasil x Alemanha (Copa 2014)

A derrota humilhante do Brasil para a Alemanha é só o reflexo de um futebol mal administrado. Quem manda, hoje, no futebol brasileiro, são os empresários dos jogadores, ou seja: dinheiro. Até Felipe Scolari deixou escapar, numa entrevista, a frase: "... Os patrocinadores de Neymar".

Então, vamos analisar: Quem entra na seleção? Quem joga fora do Brasil, e isso empobrece os clubes brasileiros, que são administrados por gente inescrupulosa, que só vê dinheiro, e ainda deixa os clubes endividados, sem que a Justiça Brasileira investigue, tome conta. A paixão do povo pelo futebol é manchada por essa minoria que domina escancaradamente a máfia do futebol brasileiro, sem reação por parte das autoridades. Depois, como um técnico monta um esquema tático em função de um só jogador, no caso, Neymar? A seleção é um grupo, não um jogador; saiu o jogador, acabou o esquema tático; o preço está aí: 7 x 1 para a Alemanha. Continuando o desmando no futebol brasileiro, nosso país nunca mais será campeão, e viverá apenas das glórias do passado.

(Texto: Bete Diniz - foto: Facebook)

sábado, 5 de julho de 2014

Tu és a luz


Tu és a luz no fim do túnel,
Alguém que sempre nos ilumina;
Tu és a força dos nossos braços
E a canção que mais nos fascina...

Tu és o objetivo do nosso coração,
O aconchego em nossas lutas ganhas ou perdidas;
A rima da nossa poesia preferida, 
A melodia da nossa canção...

Quando o mundo ri da gente,
Tu és a nossa inspiração;
Tu és Cristo, o caminho consciente,
Tu és Cristo, a luz da nossa salvação... 

(Poesia: Bete Diniz - Taperoá -PB - Foto: Carlos Diniz - Rio de Janeiro - RJ) 

sexta-feira, 4 de julho de 2014

Ao anoitecer...


Ao anoitecer,
Correr ao teu encontro,
Em teu corpo me envolver,
Matar tanta saudade...

Em casa, jantar contigo,
Saborear a paz que mora com a gente;
Depois, cair novamente em teu corpo,
Desfrutar do melhor de ti...

E depois de tudo,
Depois do amor,
O nosso banho...  

(Poesia e foto: Bete Diniz - Taperoá - PB)

quarta-feira, 2 de julho de 2014

Anáfora (Elizabeth Bishop)


                                                                                        (In memoriam de Marjorie Carr Stevens)  

Cada dia, cerimonioso,
Começa com pássaros, e fábricas 
A apitar, estrepitosas;
Diante dos céus auri-alvos,
Tão claros nossos olhos se abrem,
E por um instante perguntamos:
"De onde esta força, esta melodia?
Para qual inefável criatura 
Que não vimos, foi feito este dia?"
Logo, logo ela surge, e assume 
Sua natureza terrena,
E cai vítima da intriga,
Sob o ônus da memória,
Da mortal, mortal fadiga.

Mais lentamente, aparecem
Os rostos sarapintados,
Condensam sua luz, e a escurecem;
Apesar de tantos sonhos
Gastos nela em tal olhar,
Atura nosso uso e abuso,
Mergulha no fluxo dos corpos,
Mergulha no fluxo das classes
Até chegar ao mendigo exausto
Sem livro, sem luz, no lusco-fusco,
Imerso em estupendos estudos:
Este incandescente evento 
De cada dia em constante
Constante consentimento. 
     
(Poema: Elizabeth Bishop - Foto: Carlos Diniz - Rio de Janeiro - RJ) 

Poema começado do fim (Adélia Prado)


Um corpo quer outro corpo.
Uma alma quer outra alma e seu corpo.
Este excesso de realidade me confunde.
Jonathan Falando:
                  Parece que estou num filme.
Se eu lhe dissesse você é estúpido
ele diria sou mesmo.
Se ele dissesse vamos comigo ao inferno passear
                                            eu iria.
As casas baixas, as pessoas pobres
                                   e o sol da tarde,
imaginai o que era o sol da tarde
                                    sobre nossa fragilidade.
Vinha com Jonathan 
pela rua mais torta da cidade.
                          O caminho do Céu. 
(Poema: Adélia Prado - A faca no peito - Record, Rio de Janeiro, RJ - 1988 - Foto - Bete Diniz - Taperoá - PB)