domingo, 6 de outubro de 2013

Meu cajueiro (Humberto de Campos)

Aos treze anos da minha idade, e três da sua, separamo-nos, o meu cajueiro e eu. Embarco para o Maranhão, e ele fica. Na hora, porém, de deixar a casa, vou levar-lhe o meu adeus. Abraçando-me ao seu tronco, aperto-o de encontro ao meu peito. A resina transparente e cheirosa corre-lhe do caule ferido. Na ponta dos ramos mais altos abotoam os primeiros cachos de flores miúdas e arroxeadas como pequeninas unhas de crianças com frio.
- Adeus, meu cajueiro! Até à volta!
Ele não diz nada, e eu me vou embora.

Da esquina da rua, olho ainda, por cima da cerca, a sua folha mais alta, pequenino lenço verde agitado em despedida. E estou em São Luís, homem-menino, lutando pela vida, enrijando o corpo no trabalho bruto e fortalecendo a alma no sofrimento, quando recebo uma comprida lata de folha acompanhando uma carta de minha mãe: "Receberás com esta uma pequena lata de doce de caju, em calda. São os primeiros cajus do teu cajueiro. São deliciosos, e ele te manda lembranças..."

(Texto: Humberto de Campos - Foto: cajueiro de Humberto de Campos - Parnaíba (PI): internet) 

sábado, 5 de outubro de 2013

Além das estrelas...

A gente sempre espera o novo,
E ele vem lá do espaço:
Um cometa, um planeta, um segundo Sol...

No vaivém do Universo,
Os estilhaços de alguma explosão
Trará meu amor em versos,
Uma grande paixão...

Eu te vejo em todo lugar,
Até na mais longínqua estrela
Aonde um dia vou morar,
E mesmo lá eu te amarei, com certeza...

Qualquer que seja o viajante,
Eu marcarei nele teu nome e o meu,
Para que nosso amor seja da natureza participante
Em sua forma plena, dentro de Deus!

(Poesia: Eliza Ribeiro - Taperoá - PB - Foto: internet) 

O macaco, a onça e o touro (Luís da Câmara Cascudo)

Uma vez o macaco trazia um cacho de coco-catulé (Attalea) e como pesasse muito parou para descansar. Um touro avistou-o, aproximou-se e começou a mangar do macaco , achando-o fraco demais. Não podia nem carregar o de comer. O macaco foi-se esquentando:
- Camarada touro, você pode ser muito forte mas não é mais do que eu. Sou um bicho pequeno mas tenho talento (força física). 

O touro achou muita graça e, palavra puxa palavra, acabou o macaco afrontando o camarada para uma aposta.
- Que aposta é? 
- Amanhã eu trago uma corda bem forte; fico numa ponta e você na outra. Cada qual bota todo talento que tiver. Quem puxar o outro para perto, ganha... 
- Pois está muito bem.  Amanhã quero tirar esse ranço...
  
Foi-se embora o touro, e o macaco nem quis mais saber dos catulés, imaginando o que ia fazer para enganar o touro. Estava nessa cogitação quando ouviu o tropel macio da onça. Mais que depressa pulou para um pé de pau e subiu, olhando lá de cima. A onça chegou, farejando, olhou e viu o macaco.
- Desça daí, mofino! Já jantei! Quero só conversar com você! 
- Eu converso daqui mesmo, camarada onça. 
- De quem são esses catulés? 
- São meus se a comadre onça não os quiser.
- Não quero saber de cocos, camarada macaco. Você tem visto o bicho-homem? 
- Há tempos que não o vejo, camarada onça, mas aprendi muito com ele. 
- Que é que você aprendeu com o bicho-homem? 
- Aprendi a derrubar bicho-bruto como você! 
- Derruba coisa nenhuma, camarada macaco, deixe de pabulagem. 
- Derrubo!  A questão é você querer puxar uma ponta de corda e eu ficar no outro lado. Você não tem talento para me arrastar nem um risco...
- Deixe de sonho, camarada macaco. Mas para você não ir se gabando eu aceito a aposta.
- Pois amanhã, no pé daquele serrote onde há uns pés de oiticica. Você fique na ponta de lá, perto da estrada.    
- Está combinado.
- Está combinado.

O macaco bateu o pé para a casa do bicho-homem e furtou uma corda bem grande e forte. No outro dia foi esperar o touro na ponta da pedra. Assim que o viu, entregou a ponta da corda e segurando o outro lado, disse:
- Vou ficar longe e quando eu gritar ecôoo, você bote força. 

Saiu com a corda e foi encontrar a onça que estava deitada, lambendo as patas.
- Camarada onça, aí vai a ponta da corda, segure que eu vou para o outro lado das pedras. Quando eu gritar ecôoo, você o que tiver de talento, bote...

Correu para as pedras, trepou-se e gritou:
- Ecôoo...

Ouvindo o grito, o touro de um lado e a onça do outro puxaram a corda. Admirados com a força que julgavam do macaco, botaram o que tinham. Ia a onça arrastada um bando de palmos. Fazia finca-pé. O touro vinha vindo. Fincava as patas no chão. E assim foram indo, vai não vai, até que o macaco, avistando uma carga de bananas que um homem ia carregando pela estrada, largou-se numa carreira desadorada, abandonando tudo. Vendo o macaco passar e a corda continuar esticada, a onça e o touro compreenderam que havia trapalhada e foram se chegando para ver quem estava na outra ponta.
- Camarada touro!
- Camarada onça! 

E como touro e onça não fazem boa liga e cada um respeita muito o outro, saíram para outros caminhos, zangados com o atrevimento do macaco que enganara os dois bichos grandes e fortes. 

(Texto: Luís da Câmara Cascudo, Folclore do Brasil.Editora Fundo de Cultura - Rio de Janeiro - foto: internet)        

Deuses romanos e correspondentes gregos:

Nome romano                  Nome grego               Atribuições

Júpiter                                Zeus                      Pai dos deuses; deus do céu.
Juno                                   Hera                      Mãe dos deuses; protetora das mães e esposas.
Marte                                 Ares                      Deus da guerra.
Vênus                                Afrodite                  Deusa do amor.
Ceres                                 Deméter                 Deusa da vegetação, das colheitas, da fertilidade da terra.
Diana                                Ártemis                   Deusa da caça.
Apolo                               Apolo                       Deus da luz; protetor das artes.
Mercúrio                           Hermes                  Mensageiro dos deuses; deus das estradas, protetor dos comerciantes, dos viajantes e dos ladrões.
Vulcano                            Hefesto                    Deus do fogo; protetor dos ferreiros e oleiros.
Vesta                                Héstia                      Deusa do fogo doméstico; protetora da família e das cidades.
Minerva                             Atena                     Deusa da sabedoria.
Netuno                              Posêidon                 Deus dos mares.

(Pesquisa e foto: internet)

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Sururina

Classificação científica:
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Aves
Ordem: Tinamiformes
Família: Tinamidae
Gênero: Crypturellus
Espécie: C. Soui.


Características:
A sururina é um tinamídeo, mede 31 cm de comprimento, de vasta distribuição geográfica, encontrando-se na América do Sul e Central. No Brasil ela está presente no Sudeste, Nordeste e Amazônia.

Ela também é conhecida como tururim, tururi, sovi, canela-parda, ferrinho, tururina e inhambu-carioca. É uma ave terrícola, e empoleira-se nos galhos densos para pernoitar; possui coloração uniforme, com garganta esbranquiçada. Habita a mata de várzea e galeria, capoeira, matos secos e ralos e o cerrado, assim como em campos e florestas da América do Sul. Alimenta-se de sementes, pequenos frutos e insetos.

O macho é menor do que a fêmea e cuida do ninho, choco, que dura 17 dias, e da criação dos filhotes. Os ovos da sururina têm coloração vinho ou púrpura escuro. 

(Texto: Eliza Ribeiro - Taperoá - PB - foto: internet)

Poema de Mimnermo de Colofon (Poeta grego - século VII a.c)

Como as folhas que brotam
Na primavera em flor
E crescem rápidas à luz do sol,
Assim é que nós somos;
Como essas folhas, por exíguo prazo
Podemos usufruir da juventude em flor,
Desconhecendo, por divina graça,
Quer o mal, quer o bem.

A cada lado estão as negras Parcas:
Traz uma a cruel velhice, a outra a morte.
Da juventude o fruto dura muito pouco,
Não mais que sobre a terra à luz do sol;
E quando passa a plenitude desse tempo
É então melhor morrer do que viver.

Trecho de poema de Erina (Poetisa grega - século V ou IV a.C)

Ó estrelas e Sereias, urna funerária
Que encerras minha pouca cinza,
Saudai a gente que se acerca de meu túmulo,
Seja daqui ou forasteira.
Contai: mal me casara, a morte me colheu;
O nome que meu pai me pôs
Foi Báucis; Telos, o lugar onde nasci:
E Erina, minha amiga,
Em meu sepulcro estas palavras inscreveu.

(Trecho do poema "A Roca", da poetisa grega da cidade de Telos, Erina - século V ou IV a.C - um lamento pela morte de sua amiga Báucis, logo após casar-se. Foto: aplicativo da internet)