segunda-feira, 15 de julho de 2013

Plutônio

Símbolo: Pu
Massa atômica: 244,0642
Número atômico: 94
Ponto de fusão: 912 K (638,8 ºC)
Ponto de ebulição: 3505 K (3.232 ºC)
Ano da descoberta: 1940
Autores da descoberta: Glenn T. Seaborg, J. W. Kennedy e A. C. Wahl
Origem do nome: Homenagem ao deus do inferno da mitologia greco-romana
Significado:             –
Utilidades: Elemento radioativo. Bateria nuclear, marcapasso, Astronáutica, combustível para reator atômico, etc.

Características:
O plutônio é um metal de cor branca prateada, radioativo, frágil e pesado; à temperatura ambiente encontra-se em estado sólido e é atacado pelo oxigênio, vapor e por ácidos, mas não por bases. É amplamente utilizado em armas nucleares.  

(Texto: Eliza Ribeiro - Taperoá - PB - Foto: internet)

Platão

Platão nasceu em Atenas no ano 427 a.C. Seu verdadeiro nome era Aristocles, herdado do seu avô, e era descendente de Sólon, o Legislador. Recebeu o nome de Platão (em grego significa ombros largos), por causa de sua corpulência. Teve educação exemplar, por ser de família aristocrática; estudou leitura e escrita, ginástica, música, pintura e poesia. Na juventude foi atleta e participou dos jogos olímpicos como lutador. 

Platão quis seguir a carreira política, uma tradição familiar, mas a oligarquia não lhe agradava; aos 20 anos de idade conheceu Sócrates e a partir daí dedicou-se à filosofia. Escreveu vários diálogos em seus livros, tendo como personagem principal o seu mestre, que nada havia deixado escrito. 

Opositor da democracia ateniense desde a morte de Sócrates, Platão deixou Atenas e seguiu para Megara, onde estudou geometria com Euclides, famoso matemático da época. Depois, viajando por outros lugares, chegou ao Egito, onde estudou astronomia; em Cyrene (norte da África) estudou matemática; em Crotona (sul da atual Itália) se encontrou com discípulos de Pitágoras. Esteve na Sicília, onde manteve amizade com Dion, cunhado do rei de Siracusa, Dionísio I, o Velho, um governador cruel. Em Siracusa tentou criar uma sociedade ideal, que idealizara e escrevera no livro “República”, mas foi perseguido e vendido como escravo na ilha de Egina; recuperou a liberdade graças a um amigo que pagou o resgate. 

No ano 387 a.C. voltou a Atenas e fundou a escola filosófica “Academia”, cujo nome foi por ter sido construída nos jardins edificados pelo herói Academus, onde ensinou por 40 anos, e teve em Aristóteles um de seus discípulos. No ano 366 a.C. voltou a Siracusa, então governada por Dionísio II, o Jovem, mas logo abandonou a ilha e voltou para Atenas. Ainda voltou a Siracusa pela terceira e última vez no ano 361 a.C. novamente abandonando a ilha por ameaça de morte. Retornou para Atenas, onde viveu até sua morte, ocorrida no ano 347 a.C.  

Obras: 
Segundo os estudiosos, as obras de Platão se dividem em 4 períodos: 
1º. Período: - iniciado no ano da morte de Sócrates, em 399 a.C. até sua primeira viagem à Sicília, no ano seguinte – que abrange os livros “Apologia de Sócrates”, “Critão”, “Hípias Menor”, “Górgias”, “Mênon”, “Hipías Maior”, “Crátilo” e o 1º. Livro de “República”. 
2º. Período: iniciado com a fundação da Academia, em 387 a.C. até à segunda viagem a Sicília, em 366 a.C. Livros: “Protágoras”, “Lísis”, “Cármides”, “Eutidemo”, “Banquete”, “Fédon”, outros livros de “República”, “Fedra”, “Tuleto” e “Parmênides”. 
3º. Período: entre a segunda e a terceira viagem à Sicília, no ano 361 a.C. Escreveu os livros “Sofista” e “Político”. 
4º. Período: iniciado no ano 361 a.C. até sua morte, em 347 a.C. Escreveu os livros “Filebo”, "Timeu”, “Crítias”, que deixou inacabado, e “Leis”. 

Platão é considerado o primeiro pedagogo da história, pois construiu um sistema educacional integrado a uma dimensão ética e política. Ele dizia que o objetivo da educação era a formação do homem moral, vivendo num estado justo. Dizia também que a educação deveria se estender por toda a vida, e não somente na juventude, e que ela seria de responsabilidade do Estado, estendida a meninos e meninas. Em resumo, ele dizia que a educação deveria ser universal, acessível a todos. 

Como Sócrates, Platão usava o diálogo em suas obras, formulando diversas opiniões sobre o tema questionado, até chegar a uma conclusão que fosse verdadeira. Tentava explicar o sentido da existência humana e o seu destino. Dizia que a realidade do homem só encontrava abrigo na filosofia, com a contemplação da verdade, apresentável sob diversas formas. Só através da filosofia o homem encontra respostas para a felicidade, encarada frente a frente com a dor, o sofrimento, o mal e a morte. Ele recorria aos mitos, à poesia e ao amor para expressar seus pensamentos. 

Dividiu a realidade em duas partes: espírito e matéria. Dizia que o espírito é imortal e que em sua passagem pelo mundo procura recordar-se do Universo de onde veio, onde residem a verdade e o bem. A alma, antes de vir ao mundo, habitava o mundo luminoso das “ideias”, sendo a mais elevada delas a ideia do bem, causa e finalidade do Universo. Dizia também que a alma sempre deseja voltar, mas o corpo ao qual está presa sempre a desvia do caminho, que é o caminho da sabedoria da vida. Por isso, apenas a mente humana é boa, e o físico deve se subordinar a ela. No livro “República”, escrito em diálogos, onde coloca nos personagens o nome dos seus irmãos Glauco e Adimanto, imagina uma sociedade ideal, dividida em 3 classes, segundo a capacidade intelectual de cada indivíduo:
1ª. Classe – subordinada ao físico – seria encarregada da produção e distribuição dos alimentos para a comunidade, que comportaria os lavradores, artífices e comerciantes. 
2ª. Classe – seria dos soldados, por serem empreendedores. 
3ª. Classe – seria a dos servidores da razão, ocupada pelos intelectuais, detentores do poder político. Por isso, os reis teriam que vir dos filósofos.  

Pensamentos de Platão:
* A alma merece vossos primeiros cuidados: dai em seguida os que o corpo reclama. Eles estão sempre subordinados à cultura da alma. 
* Deus é a ideia do bem, a ideia mais alta, à qual todas as outras se subordinam como meios. 
* A educação consiste em dar ao corpo e à alma toda a perfeição de que somos capazes. 
* Quantos homens não iniciaram uma nova vida após a leitura de um livro? 
* Aquele que durante a vida esquivou-se dos prazeres e dos bens corporais, como algo estranho e funesto, preparou sua alma para o futuro. Aquele que amou os prazeres da ciência e adornou sua alma, não com uma vestidura imprópria e sim com aquela que mais lhe convinha, com virtudes, tais como: temperança, justiça, liberdade, veracidade; este deve esperar tranquilo a hora da partida para o outro mundo, como se estivesse disposto para empreender a viagem ao ordenar-lhe o destino. 
* Aquele que melhor conhece a si mesmo, é o que menos se exalta.
* Não é com honras e riquezas que se contenta o coração de um pensador, mas sim, apenas o saber e a virtude. 
* Só pelo amor o homem se realiza plenamente.  

Bibliografia: 
ENCICLOPÉDIA Semanal Ilustrada Conhecer. Vol. 2, fascículo 45, págs. 746 a 747. São Paulo, Abril, 1966. 
DICIONÁRIO Universal de Curiosidades. Vol. 3, pág. 1264. São Paulo, Cil S.A., 1966. 
ENCICLOPÉDIA Brasileira Globo. 13ª. ed. Vol. IX. Porto Alegre, Globo, 1974.  

(Texto: Eliza Ribeiro - Taperoá - PB - foto: internet)

sexta-feira, 12 de julho de 2013

O azulão e os tico-ticos (Catulo da Paixão Cearense)

Do começo ao fim do dia,
Um belo azulão cantava,
E o pomar que atento ouvia
Os seus trilos de harmonia
Cada vez mais se enflorava.

Se um tico-tico e outros bobos
Vaiavam sua canção,
Mais doce ainda se ouvia
A flauta desse azulão.

Um papagaio, surpreso
De ver o grande desprezo
Do azulão, que os desprezava,
Um dia em que ele cantava
E um bando de tico-ticos
Numa algazarra o vaiava,
Lhe perguntou: " Azulão,
Olha, diz-me a razão
Por que, quando estás cantando
E recebes uma vaia
Desses garotos joviais,
Tu continuas gorjeando,
E cada vez cantas mais?!"

Numas volatas sonoras,
O azulão lhe respondeu:
"Meu amigo, eu prezo muito
Esta garganta sublime,
Este dom que Deus me deu!

Quando há pouco, eu descantava,
Pensando não ser ouvido
Nestes matos, por ninguém,
Um sabiá que me escutava,
Num capoeirão, escondido,
Gritou de lá: "meu colega,
Bravo!.... Bravo!... Muito bem!"

Queira agora me dizer:-
Quem foi um dia aplaudido
Por um dos mestres do canto,
Um dos cantores mais ricos
Que caso pode fazer
Das vaias dos tico-ticos?!"

(Poesia: Catulo da Paixão Cearense - Foto: internet)

terça-feira, 9 de julho de 2013

Deus (Casimiro de Abreu)

Eu me lembro! Eu me lembro! - Era pequeno
E brincava na praia; o mar bramia,
E, erguendo o dorso altivo, sacudia,
A branca espuma para o céu sereno.

E eu disse a minha mãe nesse momento:
"Que dura orquestra! Que furor insano!
Que pode haver de maior do que o oceano
Ou que seja mais forte do que o vento?"

Minha mãe, a sorrir, olhou pros céus
E respondeu: - Um ser que nós não vemos,
É maior do que o mar que nós tememos,
Mais forte que o tufão, meu filho, é Deus.

(Poesia: Casimiro de Abreu - foto: Eliza Ribeiro - Taperoá - PB)

segunda-feira, 8 de julho de 2013

A rua (Cassiano Ricardo)


Bem sei que, muitas vezes,
O único remédio é adiar tudo.
É adiar a sede, a fome, a viagem,
A dívida, o divertimento,
O pedido de emprego, ou a própria alegria.
A esperança é também uma forma
De contínuo adiamento.
Sei que é preciso prestigiar a esperança,
Numa sala de espera.
Mas sei também que espera significa luta e não, apenas,
Esperança sentada.
Não abdicação diante da vida.

A esperança
Nunca é a forma burguesa, sentada e tranquila da espera.
Nunca é figura de mulher
Do quadro antigo:
Sentada, dando milho aos pombos.

(Poesia: Cassiano Ricardo - Foto: Eliza Ribeiro - Taperoá - PB) 

domingo, 7 de julho de 2013

Anjos do mar (Álvares de Azevedo)


As ondas são anjos que dormem no mar,
Que tremem, palpitam, banhados de luz...
São anjos que dormem, a rir e sonhar
E em leito d'escuma revolvem-se nus!

E quando de noite vem pálida a Lua
Seus raios incertos tremer, pratear,
E a trança luzente da nuvem flutua,
As ondas são anjos que dormem no mar!

Que dormem, que sonham — e o vento dos céus
Vem tépido à noite nos seios beijar!
São meigos anjinhos, são filhos de Deus,
Que ao fresco se embalam do seio do mar!

E quando nas águas os ventos suspiram,
São puros fervores de ventos e mar:
São beijos que queimam... E as noites deliram,
E os pobres anjinhos estão a chorar!

Ai! Quando tu sentes dos mares na flor
Os ventos e vagas gemer, palpitar,
Porque não consentes, num beijo de amor,
Que eu diga-te os sonhos dos anjos do mar!

(Poesia: Álvares de Azevedo - Foto: Eliza Ribeiro - Taperoá - PB) 

Soneto II (Álvares de Azevedo)


Passei ontem a noite junto dela.
Do camarote a divisão se erguia
Apenas entre nós - e eu vivia
No doce alento dessa virgem bela...

Tanto amor, tanto fogo se revela
Naqueles olhos negros! Só a via!
Música mais do céu, mais harmonia
Aspirando nessa alma de donzela!



Como era doce aquele seio arfando!
Nos lábios que sorriso feiticeiro!
Daquelas horas lembro-me chorando!

Mas o que é triste e dói ao mundo inteiro
É sentir todo o seio palpitando...
Cheio de amores! E dormir solteiro!

(Poesia: Álvares de Azevedo - Foto: Leilane Diniz - Maine - EUA)