domingo, 23 de julho de 2017

Nanaê, Nanã, Naiana: letra - música de Clara Nunes

Nanaê, Nanã, Naiana, Nanaê  (Eh, eh)
Nanaê, Nanã, Naiana.                                                       (Refrão)
Como o mano irmana na jangana,
Como o mano irmana na jangana, Nanaê.  (Auá!)

Nanaê cantava pra sinhazinha dormir ao luê,
Pra ir pra debaixo do pé de café
Fazer canjerê, Nanaê. (Ah!) 

Nanaê, Nanã, Naiana, Nanaê (Eh, eh)
Nanaê, Nanã, Naiana.
Como o mano irmana na jangana,
Como o mano irmana na jangana, Nanaê. (Auá!)

Se sinhazinha acordasse antes de Nanaê chegar
E começasse a chorar
Senhor mandava amarrar Nanaê
E chibatar Nanaê (Ah!)

Nanaê, Nanã, Naiana, Nanaê. (Eh, eh)
Nanaê, Nanã, Naiana.
Como o mano irmana na jangana,
Como o mano irmana na jangana, Nanaê. (Auá)

Mas Nanaê se incorporava de Nanã Buruquê
E não sentia a pancada doer, Nanaê. (Ah!) 

Nanaê, Nanã, Naiana, Nanaê. (Eh, eh)
Nanaê, Nanã, Naiana.
Como o mano irmana na jangana,
Como o mano irmana na jangana, Nanaê. (Auá)

Sinhazinha ninada,
Embalada no cantar da negrotina Nanaê 
Herdou todo o seu ser.
Hoje em noite de Luana é sinhazinha
Quem vai dançar na Mujungana, Nanaê. (Ah!)

Nanaê, Nanã, Naiana, Nanaê. (Eh, eh)
Nanaê, Nanã, Naiana.
Como o mano irmana na jangana,
Como o mano irmana na jangana, Nanaê. (Auá)  

Canta: Clara Nunes
Compositor: Sidney da Conceição
Disco: Alvorecer - 1974
Odeon SMOFB 3835

Nação: letra - música de Clara Nunes

Dorival Caymmi falou pra Oxum
Com Silas to em boa companhia
O céu abraça a terra
Deságua o rio na Bahia.

Jêje
Minha sede é dos rios
A minha cor é o arco-íris
Minha fome é tanta
Planta flor-irmã da bandeira
A minha sina é verde-amarela feito a bananeira. 

Ouro cobre o espelho esmeralda
No berço esplêndido
A floresta em calda, manjedoura d’alma
Labaragua, sete-queda em chama
Cobra de ferro, Oxum-maré
Homem e mulher na cama. 

Jêje
Tuas asas de pomba
Presas nas costas com mel e dendê
Aguentam por um fio.

Sofrem o bafio da fera
O bombardeio de caramuru
A sanha d’anhanguera.

Jêje
Tua boca do lixo
Escarra o sangue
De outra hemoptise
No canal do Mangue.

O uirapuru das cinzas chama
Rebenta a louça
Oxum-maré
Dança em teu mar de lama. 

Canta: Clara Nunes
Compositores: João Bosco/Aldir Blanc/Paulo Emílio
Disco: Nação - 1982
EMI-Odeon 062 421236

Na linha do mar: letra - música de Clara Nunes

Galo cantou 
Às quatro da manhã
Céu azulou
Na linha do mar
Vou me embora desse mundo de ilusão
Quem me vê sorrir
Não há de me ver chorar.

Flechas sorrateiras, cheias de veneno,
Querem atingir o meu coração
Mas o meu amor, sempre tão sereno,
Serve de escudo pra qualquer ingratidão. 

Canta: Clara Nunes
Compositor: Paulinho da Viola
Disco: Esperança - 1979
EMI-Odeon 062 421168

sábado, 22 de julho de 2017

Mulata do balaio: letra - música de Clara Nunes

Ê banana ouro,
Ê banana prata,
Bamboleando o balaio
Lá vai a mulata.

Balançando por onde passa
A prata dos balangandãs,
Deixando um cheirinho tão bom
De banana maçã. 

Quando ela passa na praça
Com seu samburá pelo chão,
Deixa um chamego 
Que é pra nego escorregar. 
E na ginga,
Quando se endominga pra ir passear,
Deixa branco e nego zonzo
Gemendo nos gonzos, morrendo de amar.


Ê banana ouro,
Ê banana prata,
Bamboleando o balaio
 Lá vai a mulata.

Ela, de bata rendada sobre o camisu,
Leva dois fios de conta:
Um de ouro e outro azul,
E o balaio vai bamboleando pra lá e pra cá,
Pondo branco e nego zonzo,
Gemendo nos gonzos e morrendo de amar. 

Canta: Clara Nunes
Compositores: Wilson Moreira/Nei Lopes
Disco: Esperança - 1979
EMI-Odeon 062 421168

Morrendo verso em verso: letra - música de Clara Nunes

Sem você sou só metade,
Sinto falta do seu beijo;
Tenho boca, pouco falo,
Tenho olhos, pouco vejo. 

Sambei na cidade com um cordão,
Ganhei na verdade a consagração,
Mas pra mim foi só a metade;
Faltou-me a sua mão.

Anda, amor,
Vê se dá pra voltar agora;
A Lua derramou tristeza,
E a brisa, que é uma beleza,
Esfria o coração que chora.

Tudo é mesmo só metade,
Restou somente uma saudade;
Depois que você foi embora
Vou morrendo verso em verso;
Volta, amor, que é hora. 

Canta: Clara Nunes
Compositor: João Nogueira
Disco: Clara Nunes - 1971
Odeon  MOFB 3667

Morena do mar: letra - música de Clara Nunes

Morena do mar, oi, eu,
Morena do mar;
Morena do mar sou eu
Que acabou de chegar. 

Morena do mar 
Eu disse que ia chegar,
Ai, eu disse que ia chegar.
Cheguei.

Para te agradar, ai,
Eu trouxe as conchinhas do mar...
Morena,
Para te enfeitar
Eu trouxe os peixinhos do mar,
As estrelas do céu, morena,
As estrelas do mar, ai,
As pratas e os ouros de Yemanjá...                (Bis)

Yemanjá, Yemanjá,
Sou pescador, moro nas ondas do mar,
Também sou filho de Yemanjá...                    (Bis) 

Canta: Clara Nunes
Compositor: Dorival Caymmi
Disco: Clara Clarice Clara - 1972
Odeon MOFB 3709

Morena de Angola: letra - música de Clara Nunes

Morena de Angola
Que leva o chocalho amarrado na canela
Será que ela mexe o chocalho
Ou o chocalho é que mexe com ela.

Será que a morena cochila
Escutando o cochicho do chocalho,
Será que desperta gingando
E já vai chocalhando pro trabalho?

Será que ela tá na cozinha
Guisando a galinha à cabidela,
 Será que esqueceu da galinha
E ficou batucando na panela?

Será que no meio da mata na moita
A morena ainda chocalha,
Será que ela não fica afoita pra dançar
Na chama da batalha?

Morena de Angola
Que leva o chocalho amarrado na canela,
Passando pelo regimento
Ela faz requebrar a sentinela.

Será que quando vai pra cama
A morena se esquece dos chocalhos,
Será que namora fazendo bochicho
Com seus penduricalhos?

Será que ela tá caprichando no peixe
Que eu trouxe de Benguela,
Será que tá no remelexo
E abandonou meu peixe na tigela? 

Será que quando fica choca
Põe de quarentena o seu chocalho,
Será que depois ela bota a canela
No nicho do pirralho? 

Eu acho que deixei um cacho
Do meu coração na Catumbela.

Morena, bichinha danada,
Minha camarada do MPLA. 

Canta: Clara Nunes
Compositor: Chico Buarque
Disco: Brasil mestiço - 1980
.EMI-Odeon 062 421207