domingo, 25 de setembro de 2016

Canto das três raças: Letra - música de Clara Nunes

Ninguém ouviu
Um soluçar de dor
No canto do Brasil
Um lamento triste sempre ecoou
Desde que o índio guerreiro
Foi pro cativeiro
E de lá cantou
Negro entoou
Um canto de revolta pelos ares
Do Quilombo dos Palmares onde se refugiou
Fora a luta dos Inconfidentes
Pela quebra das correntes
Nada adiantou
E de guerra em paz, de paz em guerra
Todo povo dessa terra
Quando pode cantar, canta de dor
E ecoa noite e dia
É ensurdecedor
Ai, mas que agonia
O canto do trabalhador
Esse canto que devia
Ser um canto de alegria
Soa apenas como um soluçar de dor.

Clara Nunes – autores: Paulo César Pinheiro/Mauro Duarte
Disco: Canto das três raças
EMI-Odeon – XSMOFB 3915 - 1976

Canseira: Letra - Música de Clara Nunes

Canseira...
De andar na minha estrada
E nunca chegar.

Canseira...
Nos caminhos que eu caminho
Ela não está.

Talvez minha amada
Não saiba que eu sofro
Caminhando por aí.

A noite caindo, silêncio na praça,
Minha vida é procurar
Inverno feito de brisa caindo lá do céu;
Vou solitário na rua, perdido de você.

Canta: Clara Nunes – Autores: Odibar/Paulo Diniz
Disco: Clara Nunes – 1971 – 
Odeon – MOFB - 3667

quarta-feira, 2 de março de 2016

Candongueiro: Letra - Música de Clara Nunes

Eu vou-me embora
Pra Minas Gerais agora
Eu vou pela estrada afora
Tocando meu candongueiro, oi
Eu sou de Angola
Bisneto de Quilombola
Não tive e não tenho escola
Mas tenho o meu candongueiro.    (Refrão)

No cativeiro
Quando estava capiongo
Meu avô tocava jongo
Pra poder se segurar, oi
A escravaria
Quando ouvia o candongueiro
Vinha logo pro terreiro
Para saracotear.

Meu candongueiro
Bate jongo dia e noite
Só não bate quando o açoite
Quer mandar ele bater, oi
Também não bate
Quando seu dinheiro manda
Isso aqui não é quitanda
Pra pagar e receber.

Meu candongueiro
Tem mania de demanda
Quem não é da minha banda
Pode logo debandar, oi
Pra vir comigo
Tem que ser bom companheiro
Ser sincero e verdadeiro
Pra poder me acompanhar.

Autores: Wilson Moreira/Nei Lopes
Disco: Guerreira - 1978
EMI-Odeon 062 421096

Canção de sorrir e de chorar: Letra - Música de Clara Nunes

Sorri... Eu sorri
Quando o seu coração se uniu ao meu
E o seu olhar, seu pensamento bom
Veio também.
Criei um mundo então só pra nós dois,
Meu bem.

Chorei... Eu chorei
Quando senti a dor da ingratidão do seu olhar
Senti seu pensamento me abandonar
Chorei ao ver morrer todo sonho bom
Que sonhei, que sonhei.     

Autor: Tito Madi
Disco: A voz adorável de Clara Nunes – 1966
Odeon MOFB 3455

Canaviá: Letra - Música de Clara Nunes

Eu fui num samba
Pra não sambar
Mas quando eu vi Madalena
Eu fiquei por lá.                           (Refrão)

Seu gingado faceiro, viola ê
Seu tamanco ligeiro, viola a
Seu sorriso encantado, viola ê
Seu moreno queimado, viola a.

Cadê você? Os canaviá
Eu vou pra lá, os canaviá
O lê lê lê, os canaviá
O lá lá lá, os canaviá.

Olha a cana madura, os canaviá
Pra fazer rapadura, os canaviá
Olha a cana de vez, os canaviá
Pra fazer molho inglês, os canaviá.

Autores: Antônio Carlos/Jocafi
Disco: alvorecer – 1974
Odeon - SMOFB 3835

domingo, 28 de fevereiro de 2016

Brasil mestiço santuário da fé: Letra - Música de Clara Nunes

Vem desde o tempo da senzala
Do batuque e da cabala
O som que a todo povo embala – (Bis) 

É o samba
É o ponto de umbanda
É o tambor de Luanda
É o maculelê e o lundu
É o jongo e o caxambu
É o cateretê, é o coco e o maracatu
O atabaque do caboclo, o agogô de afoxé
É a curimba do batucajé
É a capoeira e o candomblé
É a festa do Brasil mestiço, santuário da fé. 

E aos sons a palavra do poeta se juntou
E nasceram as canções
E os mais belos poemas de amor
Os cantos de guerra e os lamentos de dor.

E pro povo não desesperar
Nós não deixaremos de cantar
Pois esse é o único alento do trabalhador.

Desde a senzala...

Autores: Mauro Duarte/Paulo César Pinheiro
Disco: Brasil Mestiço – 1980
EMI-Odeon – 062 421207

Bela cigana: Letra - Música de Clara Nunes

Anda retira de cima esse manto de medo
Abre essa mão que eu vou revelar um segredo
Vou, meu irmão,
Lhe ensinar beber água na fonte
Poder caminhar os caminhos do monte
Aonde amanhã novo Sol vai nascer.

É, nessa vida ninguém foge porque tem medo
É justamente o contrário, medrou quem fugiu.
Vai, meu irmão,
Rasga as folhas do teu samba-enredo
Desvia teus barcos dos velhos rochedos
Mais tarde ou mais cedo me darás razão.

E foi assim que me disse a bela cigana
De brincos de ouro, de porte de dama,
De vida e de morte no fundo do olhar.
Leu minha mão, rezou e levou meu dinheiro,
Mas a tal cigana não sabe, talvez,
Tirou meu veleiro do fundo do mar. 

Clara Nunes – participação: João Nogueira
Autores: Ivor Lancellotti/João Nogueira
EMI-Odeon – 062 421236