quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Sabedoria chinesa

A inteligência sem amor te faz perverso.
A justiça sem amor te faz implacável.
A diplomacia sem amor te faz hipócrita.
O êxito sem amor te faz arrogante.
A riqueza sem amor te faz avarento.
A docilidade sem amor te faz servil.
A pobreza sem amor te faz orgulhoso.
A beleza sem amor te faz ridículo.
A autoridade sem amor te faz tirano.
O trabalho sem amor te faz escravo.
A simplicidade sem amor te deprecia.
A lei sem amor te escraviza.
A política sem amor te deixa egoísta.
A vida sem amor... Não tem sentido.

(Frases: internet - foto: Bete Diniz - Taperoá - PB)

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Por estradas e estrelas

Por estradas e estrelas
Vai meu pensamento a vagar;
Procura por ti, 
Ao teu encontro vai meu coração...

Longe de casa, 
Viagens sem fim para cumprir,
Meu amor, vives sempre longe de mim...

E por esse país bonito te aventuras,
Como pássaros que, livres, voam por aí...
Em casa, teu silêncio me consome, me desorienta;
Espero tua volta, espero que voltes, meu amor...   

(Poesia: Bete Diniz - Taperoá - PB - foto: Ari Diniz - Cabedelo - PB)

domingo, 7 de setembro de 2014

Quero tocar teu corpo...

Quero tocar teu corpo,
Mas estás longe;
Quero dizer palavras de amor ao teu ouvido,
Mas estás longe...

Ouço o sussurro do vento,
Mas não ouço a tua voz;
Ouço música ao longe,
Mas não ouço o teu canto... 

Algo me diz,
Algo me sussurra que vais voltar,
Entreter minha vida, me alegrar...

O vento que leva
É o vento que traz;
Nas voltas que o mundo gira,
Numa dessas voltas tu voltarás.

(Poesia e foto: Bete Diniz - Taperoá - PB)

sábado, 6 de setembro de 2014

Quem ama...

Quem ama está sequestrado,
Sem direito a reclamações:
A mente fica presa, sem raciocínio,
O coração bate descompassado...   

Quem ama está sequestrado,
Sem domínio de si, amordaçado:
A boca fica presa à mão armada,
A respiração ofegante, diz:
"Assim é o amor, se quiseres ser feliz!"

Sem raciocínio, e o coração descompassado,
Quem ama se sente desfalecer:
As pernas bambeiam, as mãos tremem,
O corpo inteiro começa a perecer...

Mesmo diante de um quadro desvantajoso,
De rosto que cora, de mãos que tremem,
De corpo que desfalece, de mente presa,
Quem ama tudo suporta, de tudo se compadece,
E sente que, mesmo descompassado,
O coração o torna um ser corajoso...

Quem ama, mesmo dominado,
É capaz de erguer muralhas, 
Atravessar mares bravios,
Voar nas asas do vento, 
Quer seja manso, quer seja tornado! 

(Poesia e foto: Bete Diniz - Taperoá - PB)

Eu te encontrei...

Eu te encontrei
Quando não mais pensava no amor,
Quando o meu coração se entregava à solidão,
E nem mesmo a Lua eu gostava de contemplar...

Contigo perto de mim
Sobre a minha mesa há fartura,
Sou nova criatura;
A  Alegria se farta em mim...

Eu era jovem e já não sou;
Amei pouco, mas agora te compenso
Ao te amar como a ninguém amei...

Tenho no coração uma chama viva,
Um amor que me faz viajar;
Cheio de calor, teu amor vive em mim,
Como as tardes quentes do meu Taperoá...    

(Poesia e foto: Bete Diniz - Taperoá - PB)

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

A Terra (Kalil Gibran)

A Terra se separa da terra,
Forçada e contrariada.
E a Terra anda sobre a terra
Com orgulho e presunção.
E a Terra constrói com terra palácios
E fortalezas e templos.


E a Terra inventa, com a terra , lendas e
Enciclopédias e códigos.
Depois, a Terra se enfada com as realizações da terra 
E passa a tecer,
Com as vibrações da terra,sombras
E ilusões e sonhos.


Depois, o sono da Terra vence as pálpebras da terra, 
E ela dorme profunda e eternamente.
Por fim, a Terra dirige-se à terra, dizendo:

" Sou o útero e o túmulo. E permanecerei
Útero e túmulo até que as estrelas se apaguem
E os sóis se transformem em pó."

Poesia: Kalil Gibran - Foto: internet)

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

A Pátria (Rui Barbosa)

O sentimento que divide, inimiza, retalia, detrai, amaldiçoa, persegue, não será jamais o da Pátria. A Pátria é a família amplificada.

E a família, divinamente constituída, tem por elementos orgânicos a honra, a disciplina, a fidelidade, a benquerença, o sacrifício. É uma harmonia instintiva de vontades, uma desestudada permuta de abnegações, um tecido vivente de almas entrelaçadas. Multiplicai a célula, e tendes o organismo.

Multiplicai a família, e tereis a Pátria. Sempre o mesmo plasma, a mesma substância nervosa, a mesma circulação sanguínea. Os homens não inventaram, antes adulteraram a fraternidade, de que Cristo lhes dera a fórmula sublime, ensinando-os a se amarem uns aos outros: “Diliges proximum turum sicut ipsum”.

Dilatai a fraternidade cristã, e chegareis das afeições individuais às solidariedades coletivas, da família à nação, da nação à humanidade. Objetar-me-eis com a guerra!

Eu vos respondo com o arbitramento. O porvir é assaz vasto para comportar esta grande esperança. Ainda entre as nações, independentes, soberanas, o dever dos deveres está em respeitar nas outras os direitos da massa.

Aplicai-o agora dentro das raias desta: é o mesmo resultado; bem-queiramo-nos uns aos outros, como nos queremos a nós mesmos. Se o casal do nosso vizinho cresce, enrica e pompeia, não nos amofine a ventura, de que não compartimos. Bendigamos, antes, na rapidez de sua medrança, no lustre da sua opulência, o avultar da riqueza nacional, que se não pode compor da miséria de todos.

Por mais que os sucessos nos elevem, nos comícios, no foro, no parlamento, na administração, aprendamos a considerar no poder um instrumento de defesa comum, a agradecer nas oposições as válvulas essenciais da segurança da segurança da ordem, a sentir no conflito dos antagonismos descobertos a melhor garantia da nossa moralidade.

Não chamemos jamais de inimigos da Pátria aos nossos contendores. Não averbemos jamais de traidores à Pátria os nossos adversários mais irredutíveis.

A Pátria não é ninguém: são todos; e cada qual tem no seio dela o mesmo direito à ideia, à palavra, à associação.

A Pátria não é um sistema, nem é uma seita, nem um monopólio, nenhuma forma de governo: é o céu, o solo, o povo, tradição, a consciência, o lar, o berço dos filhos e o túmulo dos antepassados, a comunhão da lei, da língua e da liberdade. Os que a servem são os que não invejam, os que não inflamam, os que não conspiram, os que não sublevam, os que não desalentam, os que não emudecem, os que não se acobardam, mas resistem, mas ensinam, mas esforçam, mas pacificam, mas discutem, mas praticam a justiça, a admiração, o entusiasmo. Porque todos os sentimentos grandes são benignos e residem originariamente no amor. No próprio patriotismo armado o mais difícil da vocação, e a sua dignidade não está no matar, mas morrer. A guerra, legitimamente, não pode ser o extermínio, nem a ambição: é, simplesmente, a defesa. Além desses limites, seria um flagelo bárbaro, que o patriotismo repudia…

(Texto: Rui Barbosa, 1903 - Foto: internet)